"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

21
Nov 11

"Ti Ana, para que fez Deus as moscas?", assim perguntava a criança à tia que tentava adormecê-la.

"Escuta, meu menino. Havia uma velhinha que, sentada ao sol,ou perto da lareira, na varanda ou no jardim...se aborrecia de morte. Não tinha com quem conversar, já não podia fazer meia nem renda, filhos e netos andavam por fora...e, então, rezou e pediu a Deus que lhe desse com que se entreter. E Deus deu-lhe as formigas. Estas eram atrevidas, entravam em tudo que fosse doçura e faziam muitos estragos. Entretanto a velha, cansada de as perseguir com a sua bengala, pediu na botica uns pós mágicos que afugentassem aqueles bicharocos incomodativos. E eles foram-se, voltando a velha à monotonia de seus dias.Arreliada, voltou a rezar "Senhor, dai-me algo para ocupar a minha solidão!" E Deus deu-lhe as pulgas. Estas atacaram o cão, os gatos e acabaram por se meter nos folhos da saia da velha, fura aqui, salta acoli...e pica em todo o lado! Bem se esforçava a velha por se livrar delas...mas aparecia sempre mais uma... Foi então que resolveu aquecer um caldeirão de água, encher a enorme bacia de zinco, procurar uma barra de sabão...e tomar um belo banho, lavando de seguida toda a roupa. Arejou a casa, pôs lençóis e cobertores ao sol, vestiu-se de lavadinho...e, em breve, estava outra vez sentada na sua cadeirinha sem nada fazer, muito, mas mesmo muito entediada. Mais uma vez, pediu "Senhor, dai-me com que ocupar os meus dias". E Deus fez-lhe a vontade e... criou as moscas!

Resposta pronta do menino, na inocência dos seus quatro, cinco anos "Ti Ana, rais partam-na velha!" 

O menino era o meu Pai e a tia uma das irmãs de meu Avô Nicolau.

 

No dia de hoje, há muito,muito tempo, terminava eu a minha Licenciatura. Durante trinta e sete anos partilhei o que aprendi com dezenas de jovens. Uma vez aposentada, filhos encarreirados na luta por um lugar ao sol, netos preciosos a aprender a ser gente, não  me sinto - ainda! - como a velha da história...Já hoje desempenhei, vagarosamente é certo, uma molhada de tarefas domésticas, já tratei de mim (!), lavando o cabelo e enrolando-o, para acamar, como antigamente fazia a minha Mãe ( ai como me vou parecendo com ela cada vez mais, a cada dia que passa!), visitei uma jovem mãe e o seu bébé recém-nascido, "emprestei" meus ouvidos para ouvir a neta preparando uma peça nova na guitarra, vi um belo filme na tv, li mais umas páginas de "A Curva do Rio"... O dia ainda não terminou... E rezo "Senhor, que eu possa sempre dar graças pela monotonia de meus dias! " É que a educação que recebi e... a vida... me ensinaram  que ocupar a cabeça e as mãos é a melhor forma de resistir ao tempo, "enganando" a velhice tão próxima. 

publicado por mfssantos às 17:49
tags:

16
Abr 10

 "Avó, na próxima quinta feira queres visitar a minha Escola nova?"

 

 

O convite, feito com alguma dúvida sobre a resposta, foi aceite sem condições. Pois não havia de ser?! Um ano de mudanças, para dar oportunidade ao alargamento e recuperação de um edifício dos anos 60 do século passado, tinha que ser assinalado. E lá fui. Eu...e toda a família, mais umas dúzias de pais, avós e irmãos de outros meninos e meninas. E que alegria!

 

"Entrem!É por aqui...ali é a cantina...e o recreio coberto para os dias de chuva...e o ginásio...e o campo de jogos...Lá em cima é a biblioteca...e a sala dos computadores...e...e...e..."

 

Foi uma meia hora de alvoroço, de alegria esfusiante, à mistura com as explicações mais ou menos precisas. Serenamente, o Professor conduziu-nos à sala onde os nossos diabretes têm aulas, se preparam para entrar para o ano numa outra escola, também em remodelação.

 

 Neste momento em que todos os membros desta comunidade pareciam estar felizes perante a obra realizada...pergunto-me :Como é possível que, em vez de aplaudir realizações desta natureza, ainda há grupos preocupados em "averiguar" como foram atribuídas estas obras...? Eu sei que o normal e desejável é haver concursos públicos. Mas sempre ouvi dizer "Em tempo de guerra não se limpam armas". Se estivéssemos à espera do concurso...provavelmente a obra estava a começar e não a acabar..Creio que as soluções encontradas devem estar de acordo com as normas; à vista são de uma frescura e bom gosto assinaláveis ; as nossas crianças e seus esforçados professores estão indubitavelmente de parabéns.

 Também os trabalhadores, que foram profissionais aplicados, devem , naturalmente ,orgulhar-se da tarefa que executaram. É o seu modo de vida, bem sei, o seu ganha- pão. Mas não me custa imaginar que se alegram por ter contribuído com o seu trabalho para a concretização de um projecto que "os velhos do Restelo", como é hábito, agouravam...Ainda bem que se enganaram!

publicado por mfssantos às 15:17
tags:

Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

posts recentes

A Velha e as Moscas

Convite

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO