"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

16
Mar 12

Moro numa zona de escolas; bem próximo há também dois infantários. Da minha janela, todos os dias observo dezenas de jovens e crianças nas suas idas e vindas, carros que pararam para recolher miúdos, carrinhas que transportam em segurança os que moram mais longe...E ouço muita coisa...risos, gargalhadas, chamamentos em voz alta...muitos palavrões...a propósito e, as mais das vezes, a despropósito... todo um formigueiro que se afadiga, perseguindo um destino qualquer... E, frequentemente, dou comigo a "falar para dentro", comentando para com os meus botões como estes jovens de agora são afortunados em  viver nestes tempos e em ter acesso tão próximo e tão fácil a uma formação académica, a uma educação que, melhor ou pior, os vai acompanhando no desabrochar para a vida...

 

O fio do pensamento leva-me, com frequência, a reflectir na responsabilidade de quantos são professores...É que um professor pode marcar para toda a vida...para bem...e para ...pior...Eu conheço exemplos das duas facetas...relativamente a mim própria... e a familiares e amigos...

Logo "dou o salto" e passo a interrogar-me sobre o meu próprio trabalho como um deles que fui: principiante sem preparação pedagógica, embora com sólida preparação científica...saidinha da universidade disposta a "endireitar o mundo"...Que veleidade! A minha "salvação" terá sido o entusiasmo e empenho com que sempre encarei o meu trabalho. E, com o decorrer dos anos, a maturidade que a vida acaba por nos impor... o contacto com outros professores e outras experiências... mais o infindável desejo de aprender que, de alguma forma e sem mérito meu, sempre me "roeu" por dentro. Até que os trinta e sete anos ao serviço do ensino se completaram e chegou o tempo de...ir para casa. Mas disso não quero falar hoje. Hoje o que me motivou a "rever" o passado foi algo bem diferente.

 

É que esta semana foi a semana dos encontros; reencontros, talvez seja mais preciso...

Numa esplanada de café, à conversa com uma amiga, sou abordada por alguém que confirma o meu nome e diz "Que prazer em vê-la, a minha professra de..." As recordações erguem-se lá do passado, vêm as caras e as histórias, o que marcou...e o carinho que ficou, os desabafos e confidências que se seguem ,como se ainda ontem tivéssemos estado juntas e fôssemos íntimas...Como explicar?...

Pois não foi caso único: meia hora depois e uns metros à frente, mais alguém me aborda...sendo a conversa bem semelhante à anterior...acham-me "na mesma" (!!!), vêem-me com os mesmos olhos, recordam os "raspanetes" e as mensagens para casa no caderno diário...mas também o que aprenderaram e lhes tem sido útil na vida...e a ligação que não foi quebrada após tantos anos sem contactos...E o meu coração a "inchar" de orgulho interior...(este não será pecado, pois não?)

A semana não terminaria sem mais uma..."não há duas sem três...". Esta, pela mão do filho, "Mãe, este meu colega diz que foi seu aluno..."De novo o reviver, o reviver..." Fui um osso duro de roer, não?" "Bem, um osso? não!" Mas logo com um sorriso maroto "Também não foi um doce!" Rimos. Pois não. Eu sei o quanto exigia...mas começava por exigir a mim própria. Quando pudessem dizer "ela é muito boazinha"...então era a hora de me mandarem para casa...

 

Tantas coisas recordámos. E como foi gratificante ter contribuído para o crescimento dos que nos calharam nas mãos!

Por isso concluo com o pensamento naqueles mestres que me tocaram, que deixaram em mim qualquer coisa positiva. Os outros...já nem sei quem foram.

publicado por mfssantos às 15:22

Orgulho,bem o pode sentir...Que bom ser assim abordada por antigos alunos que reconhecem o seu trabalho!Parabéns.
Bjs.
detefegueiredo a 19 de Março de 2012 às 23:05

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