"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

03
Mar 12

"De vinho e amigo...o mais antigo". Assim diz o povo e, como de costume, lá tem as suas razões.

 

 Veio-me isto à ideia após a visita, num fim de semana prolongado, de uma velha Amiga. É das poucas que resta que ainda conheceu os meus Pais, a casa deles, o seu "estilo" de vida, os valores por que se regiam...o modo como me criaram. Sim, porque, quando conheci a Tininha (hoje com 85 anos) eu tinha 11, era magricela, cabelo à toa, risada fácil..."irresponsável"... A vida ainda me não castigara, a curiosidade e a mente estavam disponíveis para a novidade...

 

 A transferência de meu Pai, funcionário público, no início de Janeiro...complicou a minha mudança de escola, professores, colegas, meio ambiente...

Mas tudo foi compensado pelo que havia de vir : um casal de jovens recém casados, com disponibilidade para acompanhar uma adolescente curiosa e irrequieta, "contestatária" como todos os adolescentes são... tratou de me ocupar...

 Logo no dia da chegada... meteram-me no barco a remos, ancorado à beira do Vez na borda do quintal. Que medo! Mas logo me acomodei ao ritmo do bater dos remos e do natural balanço da embarcação. Em pouco tempo, já me aventurava sozinha num passeio rio acima, após as aulas da tarde...

 Na garagem havia uma bicicleta...que tentação! Mas eu não sabia andar! Eles me puseram em cima dela, empurraram, ampararam as muitas quedas... e acabei por integrar o grupo que, de vez em quando, fazia o percurso entre os Arcos e Ponte da Barca. Um êxito... Só os patins, ali mesmo a jeito, não tiveram utilidade: um dia dei um tombo...e desisti à primeira.

 Com a Primavera a aquecer os dias, em breve o rio convidava a uma banhoca. Só que se perdia facilmente o pé...e eu não sabia nadar!. Logo o "treino" começou: perder o medo, confiar...em mim e nos "mestres"... levou o seu tempo. Mas, um dia, numa zona que eu sabia ser funda...a vara em que costumava apoiar-me... foi-me retirada sem eu contar! Ai que aflição! E agora?... Agora...toca a pôr em prática o que me tinham ensinado. Quando acalmei, constatei que me deslocara meia dúzia de metros! E os meus amigos a bater palmas!

 

 Poderia continuar a descrever um rol de recordações daqueles tempos, e dos que se lhe seguiram. Mesmo quando outra transferência de meu Pai nos fez deixar para trás  um local, umas gentes, hábitos de convívio...mesmo quando a vida levou os meus amigos para África , a amizade se cimentou e se transferiu de pais para filhos e já envolve os netos pelo caminho.

 

 Não admira, pois, que estes dias com a minha velha Amiga tenham sido gratificantes. Revivemos o passado, agora já sem a presença do companheiro de tantos anos, às vezes com a lágrima ao canto do olho... mas com o coração pleno, o meu e o dela em sintonia. Aproveitámos o que Guimarães, Capital Europeia da Cultura ,nos está a oferecer por aí, contactámos conhecidos, visitámos lugares...e, se mais não fizemos, foi porque o tempo foi curto e... as nossas pernas...já não têm a juventude que, pela graça de Deus, as nossas mentes ainda conservam.

 

É bom ter Amigos. Antigos e mais recentes. Eles marcam as nossas vidas para sempre.

publicado por mfssantos às 11:16

Gosto tanto de ler os seus textos...!
Parabéns mais uma vez e escreva,escreva sempre.
Bjs.
detefegueiredo a 19 de Março de 2012 às 23:11

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