"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

23
Jan 12

Falar de Portugal é fácil...ou, por outra, é difícil a escolha, se há tanto que dizer! Mas falar... é fácil.

 

País pequeno, oferece uma tal variedade de paisagem, que constitui uma extensa manta de retalhos das paisagens possíveis: serra, planaltos, planícies, cursos de água, revoltos uns, remansosos outros, cidades, modernas e antiquíssimas,mar (ai, o mar português!), praias de falésia ou areal extenso... santo Deus! Como é possível sintetizar tantas maravilhas que a visão nos proporciona?!

 

Depois...depois os cheiros, da terra molhada após a chuva, da marezia e do peixe fresco, das flores e dos frutos no quintal, dos animais em aprazível convivência com o homem, seu amo e amigo, o cheiro a cachorro e a cavalo, o cheiro a gente que se move, apressada do trabalho para o ninho familiar...o cheiro a vida, num coração a pulsar...

 

E os sabores?! Aí é que a dificuldade aumenta! Cozidos, grelhados , assados, no forno ou a brasa, como explicar? Para além das 100 formas de cozinhar bacalhau...há o frango de pica no chão, o arroz de cabidela, o cabrito assado, a chanfana e o leitão da Bairrada, a carne porco à alentejana, a açorda de marisco, a cataplana de marisco(s), a sapateira recheada, a feijoada à transmontana ou à moda do Porto... a sardinha assada nos meses sem RRRR, uma simples fritada de ovos com chouriço...Ó Portugal dos sabores, genuínos, sem "rodriguinhos" de enfeite, em abundância razoável...Uma fortuna inegualável.

 

Aos nosos ouvidos podem chegar os sons mais inesperados, passarinhos que chilreiam felizes por entre o ronronar dos motores e das apitadelas de condutores apressados, a vozeria das crianças entrando e saindo das escolas, o assobio do trabalhador na obra, os sons musicais vindos de galerias e bares, o rugir das águas na cascata, o berro da "ronca" que alerta os navios em noites de nevoeiro, o apito das fábricas, o cantar do galo madrugador, o pregão das varinas...que ainda as há..."peixe fresco! vivinha da costa!"...

 

Num passeio pelas praias, o sabor a sal nos lábios contrasta com o arrepio causado pelo vento, fustigando-nos a pele, com o calor do sol que nos brozeia a afagar-nos... Como não sentir este Portugal imenso, jardim modesto," à beira mar plantado"?

 

Agora...que seleccionar para mostrar ao mundo?

O Porto, cidade antiga, entrada para o Douro e para as serranias de Trás os Montes...

Um desvio para o Minho, veredas românticas, abundância de flores e latadas sustentadas por granitos imponentes...

Rumo ao sul, passagem por Lamego, Arouca, Viseu, descansando olhos e a alma na Ria de Aveiro, comendo ovos moles...

Obrigatório parar em Coimbra, antever a vida académica, subir a Estrela e respirar o ar das aldeias da Serra da Lousã...

Continuar para Tomar, barragem de Castelo de Bode, visitar as grutas de Mira de Aire(?), guinar para a Nazaré , Óbidos, Caldas da Raínha...

Conquistar Santarém e comer a sopa de pedra em Almeirim, descer o rio Tejo até Lisboa...permacer aí até cansar(?!) e ganhar fõlego para seguir para o Alentejo em toda a sua pujança...Daí...vai ser difícil sair...mesmo que o Algarve acene lá no fundo, a Fóia oferecendo-nos o miradouro para as planícies e para o brilho do mar na distância...

 

E eu , que não conheço tanto de Portugal, teria dificulda em optar... Como aconselhar?

O melhor...é ver tudo! Em qualquer lado vai encontrar um povo acolhedor, prestável, pronto a servir de guia a estranhos na descoberta de seus tesouros...

 

E que esta "visão" que tenho do meu país não seja manchada por oportunistas e demagogos, que só vêem o argueiro no olho do vizinho...

 

 

publicado por mfssantos às 15:11

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