"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

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Mar 11

 Sabem o que é?Papas de grã...? Papas...toda a gente sabe. Mas grã...? Será da família de grão...? Quem sabe...o feminino de grão?!

 

Não sei. Mas sei o que é "grã". Vejamos:para obter a farinha, em moldes tradicionais, as duas pedras do moinho são "afinadas" de modo a conseguir aquele pó finíssimo com que se fabrica o pão, os bolos e outro tipo de massas. Se as pedras tiverem uns dois ou três milímetros mais entre elas, os grãos de milho não são totalmente esmigalhados, ficam apenas"traçados". É isto a grã, com que se fazem as tais papas.

Era o prato de Carnaval em casa da minha Avó materna. A explicação...imagino-a: os "mimos" da matança do porco por altura do Natal estão prontos para a prova. O presunto posto em sal durante pouco mais de uma semana já foi curado ao fumo da lareira, o mesmo se podendo dizer dos enchidos, farinheira, chouriça de carne temperada de vinha de alhos, chouriças de colorau...tudo já sequinho, a barriga de porco  na salgadeira, junto com os ossos da suã...Tudo a postos.Isto sem esquecer as perdizes trazidas pelos caçadores da família, na recente aventura pela serra.Vamos, pois, às ditas papas.

 

Num panelão, pôr a cozinhar todas as carnes, o tempo necessário para quase se desfazerem. Juntar mesmo no fim os enchidos, para a farinheira não "rebentar" ( e, se rebentar, também não perturba!).Tirar as carnes para uma travessa, provar de sal ( não deve precisar...),e engrossar com a dita grã, passada por água, para prevenir algum pó... Quando ferver, baixar o lume e , não deixando de mexer, cozinhar até atingir o grau de cozedura preciso. Atenção ,que a grã engrossa e, ao arrefecer, solidifica um pouco. Por isso, a consistência das papas não deve ser dura.

 

A minha Avó servia em pratos individuais, para ficar lisinha, as carnes que se não desfizeram na calda partidas à fatia, numa travessinha. Garanto que é um pitéu.

 

Como me fui lembrar desta? É que vi na tv um programa sobre Ribeira de Pena, onde este mesmo prato também aparece associado ao Carnaval.Delícias de um Portugal serrano, do interior, com riquezas e beleza desconhecidas de grande parte das populações ...e da geração do Mac Donald's...

publicado por mfssantos às 15:50

Sempre que aqui venho fico "com água na boca",de conhecimento,memórias,recordações,etc...mas hoje,sim...uma delícia!!!
Também vi o programa e também me trouxe à memória as ditas "papas"que se faziam lá em casa.Mais ricas na época da matança do porco e durante o Inverno,mais "pobres",substituiam a sopa.
Parabéns.
Bjs.
detefegueiredo a 9 de Março de 2011 às 18:43

Ainda bem que há alguém que se lembra de algo que também guardo na memória!É que, às vezes, até parece que sou de outro mundo...Mas é apenas uma questão de geração...Só tenho pena de não saber como obter a grã...a ver se era capaz de imitar a minha Avó...
Até quarta?(Será desta...?)
Abraço, M.F.
mfssantos a 10 de Março de 2011 às 16:12

Também conheço as ditas cujas papas feitas com farinha de milho. Lembro-me da minha mãe "peneirar" a farinha muito bem, dissolvê-la num pouco de água fria, para não ganhar grumos (encaroçar), e depois deitar à panela para engrossar a água da cozedura. Também me recordo de não gostar muito, era miúda, ainda não sabia saborear os bons petiscos... Outro prato muito habitual, em minha casa, era a batata a murro e um bacalhauzito assados no forno de lenha, no dia que era cozido o pão, também detestava.... Enfim, por isso eu era uma magricela, agora, adoro estas coisas e falar delas até me fazem água na boca!
Até quarta,
bjo
Mariali a 12 de Março de 2011 às 18:30

Pois! É mesmo de ficar com água na boca!Abraço,M.F.
mfssantos a 13 de Março de 2011 às 15:23

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