"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

05
Jan 11

Acabo de chegar . Passei uns dias numa aldeia dos contrafortes da Serra da Lousã.

        Ao entrar em casa ligo a Tv. - e a tal linha é notícia. Pelos piores motivos: Já não há linha! Sim, verdade. Arrancaram os carris, nivelaram o terreno...e agora ...é um estradão de barro vermelho! As obras, as tais que levariam à construção do Metro de superfície...pararam!!! Estarão para re-avaliação? Mas esta não é uma obra faraónica! Foi iniciada depois de anos de discussão, e avaliação, e aconselhamento, e ouvidos os interessados! Mas alguém deu prioridade aos interessados? E estes quem são? Estes conheço eu bem: são estudantes, que em Coimbra fazem a sua valorização pessoal; são operários, trolhas, mecânicos, electricistas...mulheres a dias, auxiliares no enorme hospital universitário, gente que vai "às compras"  à cidade, ou ao cinema, ou visitar familiares...Tudo gente simples, vivendo as suas vidas programadas com antecedência, há muito.Alguém se responsabiliza pelo enorme transtorno que este adiamento representaraá no seu dia-a dia?!

 

Esta linha já serviu para a minha Avó, falecida em 1917, ir a banhos à Figueira da Foz. Comprovam-no as fotos tiradas em fotógrafos locais.

Com meia dúzia de anos , ia eu a Coimbra com os meus Pais, às compras ( ainda não havia Dia, Litle, Intermarché...) nos velhos combóios verdes, com primeira e segunda classe, que paravam algures para meter água, que a fornalha iria aquecer e transformaria em vapor que haveria de volver força motriz, bufando baforadas de fumo sob túneis, sobre pontes, durante umas duas dúzias de quilómetros até o seu destino...

Lá pelos anos 50 vieram as automotoras, uma carruagem-salão, em que o condutor guiava o monstro de ferro, agora movido a óleos, evitando a fumaça,, lado a lado com os passageiros.Menina curiosa, lembro daquela vez em que perguntei " se as mudanças eram como nos carros".E ele explicou: " imagina um H maiúsculo - para cima e para a esquerda...primeira; para baixo e para a esquerda...segunda; para cima e para a direita..terceira; para baixo e para a direita..quarta." O esclarecimento ficou para a vida.

Já mais próximo de nós, vieram as grandes carruagens, duas, três...puxadas pelo motor da dianteira. Os dois ou três transportes diários de antigamente ocorrem agora de hora a hora, abarrotando de gente, em especial em horas de ponta. Dizem que só a linha Sintra/Cascais - Lisboa teria maior movimento!

 

E hoje?

Provisoriamente, autocarros servem de substituto, serra acima, serra abaixo, curva, contra curva...E se a Refer se lembra de deixar de patrocinar este triste remedeio?...O que farão as centenas de utentes que organizaram as suas vidas na suposição de que existia uma Linha da Lousã?

 

Entretanto, há uma petição  on-line... Proteste! Apoie! É mais que justo.

publicado por mfssantos às 17:22

Avaliam, reavaliam, iniciam, param... e é deste modo que vão gastando por todo o lado uns milhõezitos. E quem se trama, já se sabe...
E os efeitos nocivos na natureza? Um comboio agride muito menos o ambiente...
Enfim, toca a protestar!
Bjo
Mariali a 6 de Janeiro de 2011 às 19:25

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