"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

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Jul 10

O calor é muito. Demasiado. Temperaturas acima dos trinta graus...

        A coluna de ar mitiga, em rodopios lentos, o ambiente pesado e refresca a pele peganhenta do suor...

        Habituei-me a imitar os movimentos vagarosos que observei nos alentejanos naquele Verão, sob uns quarenta graus...

 

Na penumbra, sem vivalma por perto,a Tv vai preenchendo o vazio. É uma imagem colorida, que salta e se move, música de fundo ou "conversa fiada" - além das toneladas de anúncios que raramente captam a minha atenção. Com sorte, apanham-se uns filmesitos pelo meio, novidade ou reposição, as histórias repetem-se, com variantes. (Ainda ontem revi "O Gigante", com a belíssima Elizabeth Taylor e um James Dean no fulgor da sua breve carreira.) Às vezes, "passo pelas brasas", "perco o fio à meada"...e "já estou noutra"!

 

Hoje dei comigo a pensar, a relacionar coisas, a pôr-me questões...

Antes da Tv já se contavam histórias.É um hábito ancestral! À volta da fogueira ou gravadas na pedra, registadas na Bíblia ou cultivadas através dos séculos por autores que, por causa delas, ficaram para sempre na história das Literaturas ( lembrar o "Decameron" de Bocaccio,os contos de Perrault, as fábulas de La Fontaine, as histórias dos irmãos Grimm, "Os contos de Cantuária " de Chaucer, de Kipling ,de Poe...de Eça, de Conan Doyle...de Borges..., de Machado de Assis...ui, falta-me o fôlego e a memória...)estas narrativas acabam sempre por obedecer a um esquema, procurado ou não (não sei)de forma consciente, ou então, mero produto de um pensamento organizado,de um raciocínio lógico (não sei). E continuam a cativar ouvintes e leitores.

Dei comigo a tentar perceber e conscencializar como as novas tecnologias lidaram com o tema, como contam os autores de filmes uma boa ,ou menos boa, história, de que forma, mais apelativa ou menos convincente, com que meios, com que recursos...Afinal...todo o conto é idêntico na forma...

Apresenta-se uma situação estável, uma aparente "normalidade", registada como que numa pintura, estática...De repente, forças estranhas e inesperadas, o inimigo, interrompem a paz, o idílio, o bem estar...e perturbam. A situação altera-se, surge o conflito, o desequilíbrio, a desordem...E lá vêm os murros, as armas, as perfídias, as traições, as ameaças, os raptos, numa palavra, a violência em todos os tons, ritmos e andamentos...É preciso um amigo, um auxílio, um regulador, um justiceiro, um polícia...um dos "bons", que reponha a ordem, a paz, o bem estar, a alegria, a felicidade...que descubra o assassino, o ladrão, o facínora, o espião, o traidor...e que, de uma forma inesperada, resolva o mistério, solucione o caso,cure o doente,salve a pátria, o clube, a honra da família...E tudo está bem, quando acaba bem, " acabou-se a história, morreu a vitória"!

Se tiver paciência e não "amadornar" entretanto, hei-de tentar observar em que medida esta minha "teoria" confere, se está presente nas histórias dos filmes que o mercado nos propõe.

publicado por mfssantos às 21:39

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