"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

26
Fev 10

Ao ligar hoje a televisão, apanhei o final de um progama sobre crianças, pais, creches, infantários...

Oa números aqui vão: inquiridos - 3000 pais

                                         insatisfeitos com as creches - 71%

                                         pedem o sábado - 21%

                                         horas na creche - 9 (nove), sendo que, depois do normal horário dos profisionais, a TV é o babysitter de serviço na maior parte dos casos...

 

 

Fiquei apreensiva. E fui falando para com os meus botões...

Eu sou do tempo em que as crianças eram criadas / educadas em casa, com a família: a mãe, as tias, as avós...mulheres, enfim...

Os meus filhos já tiveram uma mãe-motorista a levá-los da escola à música e da música ao judo ou ao balet, num esforço de cumprir com os horários deles e as obrigações...

 

O que é certo é que, na última grande guerra,com a ida dos homens para os campos de batalha, as mulheres deixaram o lar e assumiram as tarefas deles nas leiras , nas fábricas, nas lojas, na administração, nas escolas...

Finda a guerra, nem havia homens suficientes para os serviços, nem as mulheres se dispuseram, em muitos casos, a abdicar das carreiras entretanto desenvolvidas com empenho e com mérito...embora sobrecarregadas com o trabalho dentro e fóra  de casa.

Por outro lado, mesmo que preferissem ficar a tratar dos filhos, o salário dos maridos dificilmente seria suficiente para satisfazer as necessidades familiares...mais uma razão para se desdobrarem, como profissionais e mães/ donas de casa...as mais das vezes sem a compreensão e apoio dos homens, que levaram tempo a aceitar a partilha de encargos domésticos...

 

Estas reflexãoes surgem perante o problema em discussão: as creches, os jardins de infância, etc.,a necessidade de apoio aos pais trabalhadores, por um lado, e a"irresponsabilidade" de muitos que "entregam" os filhos, os deixam por períodos que chegam às 9 horas e que, em casos extremos, até se "esquecem" de ir buscar as crianças,exaustos ao fim de um dia de trabalho, transportes, distâncias...Depois...é a "deseducação" dos nossos jovens, entregues a estranhos, ou mesmo a si próprios, desde muito cedo...

Por mim, nada tenho contra a ida ao jardim de infância nos anos pre-escolares. Acho até que as crianças ganham por estarem junto com seus pares algum tempo por dia, com actividades esclarecidamente programadas e acompanhadas. Mas que os pais precisavam de se sentirem mais libertos da "escravidão" do trabalho para poderem passar mais tempo com seus filhos...disso não tenho a mínima dúvida, pelos direitos da criança, muito mais pelo direito dos pais a gozarem a companhia dos seus filhos, os acompanharem nos seus passatempos e actividades, conhecendo os seus amigos, sendo para eles um exemplo vivo e próximo de como se comportarem nas diversas situações da vida...Para tal...precisavam de não trabalhar 8...9...10 horas por dia...

O desemprego está aí, eu sei. Mas há muitos " empregados" que fazem o trabalho que devia ser feito por duas pessoas, que se esgotam, que se matam, que têm úlceras e depressões...sei lá...tudo porque o trabalho não está dividido racionalmente...( o mesmo sendo verdade para a paga de serviços,isso então em termos escandalosos, por mais valiosas e importantes que sejam as funções desempenhadas...)

Dizia alguém no tal progarma que ,em Israel, as mães trabalhadoras eram obrigadas por lei a deixarem o trabalho no kibutz(?) x horas por dia para estarem com seus filhos na creche e participarem efectivamente no cuidar, educar, com amor...de mãe. Que exemlpo!

 

Pois, para mim, o cuidar / educar das crianças seria verdadeiramente apoiado e fomentado dando aos pais melhores condições de trabalho, de forma a que o tempo lhes "sobre" para o acompanhamento da família, para a participção nas tarefas diárias, para o descanso merecido! E olhem que , quando digo "que o tempo lhes sobre" o faço com alguma ironia...mas com uma grande mágoa.

 

publicado por mfssantos às 15:13

Sinceramente não sei onde iremos parar. E depois querem sucesso nas escolas. E para quê?! Onde estão as oportunidades de emprego?! Querem que os jovens casais procriem... Tudo está interligado, há falta de tempo para as relações humanas entre filhos, casais, amigos... Há falta de auto-estima, segurança, poder económico... Estou mesmo muito desiludida com o meu país. Importamos tanta coisa, mas o essencial para o bem estar de todos, fica só para alguns...
Bom fim-de-semana.
Mariali a 27 de Fevereiro de 2010 às 17:40

No nosso país está tudo ao contrário.
Os que têm emprego trabalham até à exaustão, ficando sem tempo para a família, para se divertirem um pouco...
Trabalha-se até idades avançadas, enquanto os jovens tiram o seu curso com tanto sacrifício, e ficam para aí no desemprego.
Não seria mais sensato pôr os jovens a trabalhar e dar mais um pouco de apoio aos que estão já no fim da carreira e às mães com filhos ainda pequenos?
A minha cabeça não entende estas coisas!
fernandagbasto a 28 de Fevereiro de 2010 às 00:23

Bem, não podemos desanimar...Há muita coisa a correr mal, mas não é apenas entre nós e nem sempre por nossa culpa...Que fazer então? a resposta não é fácil! Eu já me contentava que, cada um no seu meio e estado, cumprisse o seu dever moral e profissional...Já adiantaria alguma coisa...Há que dar o exemplo, teimar, não desistir..., sem que isto nos impeça de "refilar", de "bater o pé"...sem perder a cabeça e usando de bom senso. Não sei se percebi bem , mas parece que os professores vão fazer greve por melhores salários...Percebi bem?...Eu sei o quanto para tantos seria bem necessário...Mas perante o que nos informam...Não foi preciso congelar salários?
claro que nos ocorre logo perguntar "quais salários?", não é? A coisa está feia...mas acho que ainda há gente boa a lutar por endireitar o barco e nós não podemos deixar-nos levar por "velhos do Restelo". Mas que era preciso "redistribuir o trabalho", se tal fosse viável...lá isso era. Para que os nossos netos tivesem "mais" pai e mãe...Há um ditado inglês ,que não sei reproduzir correctamente, que diz algo como iso "All work and no play makes man dull..."desculpem , não sei bem o resto, mas já dá ideia...

Abraço M.F.
mfssantos a 28 de Fevereiro de 2010 às 21:23

Como eu estou de acordo com tudo o que escreve...também ouvi essa notícia e de imediato me lembrei de um caso bem próximo , eu que estou mais livre lá vou dando uma ajuda para que a criança não passe as tais nove horas na creche...Que fazer???Tenhamos esperança...e que os nossos governantes comecem a interessar-se por estas matérias.
Bjs
detefegueiredo a 28 de Fevereiro de 2010 às 23:51

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