"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

04
Ago 12

E já lá vai um mês...mais uns dias...e os ares da aldeia a tomar conta da minha vida, no quintal,na...cozinha...,nas muitas "arrumações" que se tornam necessárias num casarão antigo que, apesar de casarão...não encontra espaço para o rasto de...5 gerações.Cinco?! Pois é: o meu Avô Nicolau construiu antes de casar, o meu Pai casou e veio ocupar metade,acrescentando uma zona de serviço; eu por aqui fui criança "levada",para cá trouxe os filhos...e ela aqui permanece...com os seus dois respectivos...Não contei mal:5 gerações!

 

Aqui regressamos recorrentemente para matar saudades e recarregar baterias, pese embora o esforço, a distância, a "trabalheira" para pôr a "máquina" em andamento...É que  a casa de brasileiro dependia da exploração agrícola hoje abandonada...com quanta mágoa minha, que recordo...não , não  vou recordar nada, não foi isso que me motivou hoje a escrever. De um modo diferente, as coisas vão andando. Só que, antigamente, eu vinha "de férias", alguém tomava as "providências" necessárias...Agora...vou-as tomando eu, dando graças a toda a hora por poder fazê-lo...devagarinho...aos poucos...ora ando , ora descanso...ai-ai, olha os meus pés, ai-ai que me dói o joelho... e agora vou mesmo parar...já não faço mais nada hoje!

 

Às vezes...acontecem coisas. Se são agradáveis, preenchem-nos o pensamento durante tempo infinito, impedem que nos limitemos às "lamentações"  de como "há tanto que fazer e ninguém que ajude"...

 

No fundo de uma gaveta encontrei hoje um postal ilustrado, a rua principal de Vinhais, ao tempo, num dia de neve, assinalado um edifício com uma escada em pedra terminada em arco... a casa onde passámos os anos a que a profissão de meu Pai obrigava... em tempo de guerra, sem transportes, correio feito de burro, luz de central a carvão que encerrava às oito da noite para poupar, racionamento nos víveres que, mesmo assim, às vezes eram contrabandeados para Espanha, ali ao lado, por uma terriola que se chamava Vilar de Ossos...( ai, que medo, para lá eram mandados os meninos que não comiam tudo, diziam-me...) Com tudo isto...mesmo assim ,a melhor época da minha vida, feliz, mimada, sem responsabilidades, com uma Mãe que se me dedicava a tempo inteiro... inventando formas de me ocupar, indo aos poucos fazendo a minha formação...passear pelo campo, reconhecer as árvores e os pássaros, sentar à braseira lutando com linhas e agulhas, trapos e bonecas, lápis e papéis...letras, LETRAS,(!) de uns benditos Cubos Majora  que, depois, tentava reconhecer nas letras gordas dos jornais...

 

Pois é: o tal postal ilustrado destinava-se a felicitar o meu Avô Manuel pelo seu aniversário, em letras maiúscula, garrafais,em zig-zag...selo do correio bem visível...com data de 1942...tinha eu...cinco anos . Espanto? Nem por isso. As letras sempre me atraíram e fizeram companhia. Como hoje.

publicado por mfssantos às 15:46

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