"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

29
Abr 12

Inesperadamente, sem aviso...ao abrir a porta,senti vozes.Afinadas, cantavam, numa língua que não entendi.Imaginei que, numa decisão que apoio incondicionalmente, alguém tivesse posto música ambiente no edifício, sempre procurado por turistas, e ainda mais neste ano  da CEC.Mas... não.

Discretamente, procurei o lugar do costume, hábito de muitos anos, e observei, procurando entender.

Quem eram aquelas quarenta, cinquenta pessoas, homens , mulheres, jovens e menos jovens, que, dispostos a esmo em semi-círculo, cantavam a vozes com simplicidade, sem maestro nem palco?! De quando em vez, ouvia-se a palavra Maria; e as terminações das palavras sugeriam uma língua eslava...

Não resisti: quando terminaram e se dirigiam para a saída, abordei uma senhora e, em inglês (língua universal...),felicitei e indaguei a nacionalidade. Lubljiana, foi-me respondido com um sorriso. E eu meio "embaçada"...

Ficara emocionada com aquela expressão de louvor a Maria; mais ainda com a facilidade com que este grupo executava o canto a vozes ,como alguém que bebe um copo de água em dia de verão, perante a imagem da Senhora, neste caso a Senhora da Oliveira, venerada em Portugal. Não sei o que mais me impressionou, se a fé, se a capacidade de um povo de expressar musicalmente os seus sentimentos.

publicado por mfssantos às 18:41

23
Abr 12

Emoções?...Com  certeza. Nem podia ser de outra maneira. O CELUC comemorou 58 anos... eu comemorei os cinco  que lhe dediquei com o entusiasmo que só a juventude proporciona...

 

Caloirinha fresca, às cegas e desconhecida numa Faculdade que nos abria portas...a medo procurei as inscrições...fiz o teste de voz...comecei a ir aos ensaios, todos os dias do meio dia à uma...comigo outros tantos principiantes e alguns veterenanos...Mas o que contava era o maestro, que a poder da sua voz, ora digo, tu repetes...ia preparando os naipes aos pares:sopranos e tenores um dia; no dia seguinte baixos e contraltos; dois dias depois...todo o mundo. Depois...era ir aperfeiçoando, corrigigindo, educando...sim, porque ninguém sabia uma nota de música! Quanto esforço e quanta dedicação, numa época em que não se ouvia falar de grupos corais mistos...Havia em Liboa o do maestro Lopes Graça...mais tarde, no Porto,o de  Mário Mateus (?) Tudo estava por fazer! era preciso "educar" os cantores...mas também era preciso educar o público. Então num meio académico, com a rapaziada pronta a divertir-se à custa dos "artistas"....está-se mesmo a ver : de braços erguidos para dar o tom...quantas vezes foi preciso descê-los, levantá- los, tornar a descer e depois levantar...até haver silêncio na sala e, finalmente, mostrar o que tínhamos aprendido. E aprendemos muito! Foi mesmo uma escola de formação musical, de exigência e disciplina, de formação do gosto... Como não recordar com saudade estes tempos, contrapeso nas épocas de esforço, de exames, de luta pelo tal lugar ao sol em meio desconhecido? Cimentaram-se amizades, cumplicidades, solidariedades...e até se vieram a fazer viagens várias...casamentos...

 

Pois este dia 22 reuniu um grupo no Pátio da Universidade, para a Missa na belíssima Capela, abrilhantada pelo magnífico órgão e coro...nas nossas mentes a memória dos que foram à frente - e já são muitos. Mas logo, reunidos na escadaria para a foto sacramental, se ouviram vozes a cantar com entusiasmo...o "João Barandão", o "Vira-te para mim ,ó Rosa"... mas já sem coragem para o "Steal away", que esse...fia mais fino! "Quem canta...seus males espanta" -  e lá nos animámos para o almoço, que decorreu na encosta frente à cidade...

Não sei se é verdade: "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida"?...

publicado por mfssantos às 17:24

17
Abr 12

A convivência com certas pessoas torna-nos imediatamente melhores pessoas - é uma espécie de sistema de vasos comunicantes, ou uma incapacidade visceral de resistir a uma boa influência. "Junta-te aos bons e serás um deles", diz o povo...

 

Outros grupos há cuja convivência promove em nós a cumplicidade com a bisbilhotice, o comentário cínico, o riso trocista - destes há que procurar distância.

 

Restam os que passam por nós ( e pela vida?) sem deixarem marca positiva, tal a sua insignificância . Não pensam, não agem, não produzem, não têm que partilhar, que oferecer, que promover...Mas sugam avidamente o que se lhes apresenta pelo caminho: esgotam-nos, desmoralizam-nos, "deitam-nos abaixo", deixam-nos exaustos...quem sabe, descrentes da nossa própria força para perseguir o sonho...Aqui, há que bater o pé e não descurar a auto- estima.

 

Sorte a daqueles que souberam/puderam rodear-se de quem "se dá" e não se limita a "usar".

publicado por mfssantos às 10:36

10
Abr 12

Não estava perdido...porque não foi guardado. Apenas ficou "esquecido" num molho de fotografias com anos. Vou transcrever...para permanecer...

 

 

 

          andar para trás

          para ir para a frente...

          abrir os aloquetes da memória

          das pequenas felicidades já cumpridas

          e nelas descobrir

          as forças necessárias toda a hora

          para existir!

 

 

 

A data aposta num cantito reza 10/8/05... Agosto na aldeia.

Não é que poderia ter a data desta Páscoa...Abril de 2012?...

 

 

 

 

 

publicado por mfssantos às 19:24

09
Abr 12

Já cá estou de novo.Da Serra para a capital europeia da cultura. O contraste será evidente, já Eça o assinalou em "A cidade e as Serras". À serra vou às raízes, à infância, à casa - mãe, àqueles que ainda conheceram meus maiores...Esgravato a terra para "plantações" que ,às vezes, não chego a ver produzir fruto...confraternizo com a cadela que me segue passo a passo, para se deitar , o focinho em cima dos meus pés, quando, finalmente, me acomodo na cadeira da varanda ao fim do dia, com um livro no colo...Digo bem, no colo, pois, frequentemente,em vez de ler, mergulho o olhar na paisagem,identifico casas e lugares ao longe, faço o reconhecimento da passarada que habita as árvores do quintal..."perco-me" em divagações , umas vezes com meio sorriso, outras com lágrimas que se escapam... 

A cidade permite devaneios diferentes...se bem que não seja meu uso valer-me deles com frequência: o que me interessaria ocorre à noite, depois das dez...e eu sou pássaro da manhã...da luz...do calor do sol. A noite  exigiria a companhia, o grupo, o apoio, a partilha...de que o dia pode abdicar com alguma facilidade. É assim que uma volta na rua permite encontros com amigos, um café e dois dedos de conversa, uma "actualização" dos acontecimentos, não diria "fofocas", porque não cultivo "o género"...uma visita aos lugares em renovação...e aos antigos, que sempre lá estiveram, mas que , de cada vez que são olhados com cuidado, sempre têm algo de novo a proporcionar.

Há que aproveitar o que se nos oferece,gratuito, generoso, à nossa volta...A vida corre e, se já não posso correr como sempre deveria ter "corrido"...resta-me não desperdiçar a oportunidade  que me é permitida e tirar dela o melhor partido.              

publicado por mfssantos às 19:32

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