"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

29
Nov 11

 Tarde na noite.

 O prédio dorme, exausto,

 no silêncio do escuro.

 Nem um pio, um sopro, um sussurro.

 

 Ao longe, já se sente 

 o ronronar do carro vassoura

 na recolha dos detritos

 que a rua alberga à luz do dia.

 Indiferente, o prédio dorme.

 

 Mas, de repente,

 num sobressalto, todos acordam.

 Um estrondo imenso invade tudo

 num dilúvio de som, de sons,

 bem ritmados, afinados, sincronizados,

 atroando os ares.

 E o prédio treme,

 uma luz ténue ilumina

 bombos e caixas que já regressam

do cortejo.

 

Foi "O Pinheiro".

 

 

publicado por mfssantos às 23:45

26
Nov 11

Este é um antiquíssimo nome da nobreza inglesa. O primeio Conde de Derby surge algures no século XII e, nos finais do séc.XIX, princípios do séc. XX, um Lord Derby, criador e dono de cavalos famosos, deixa o seu nome ligado à conhecida corrida anual de cavalos em Epson, Inglaterra. Por alargamento, qualquer disputa por um primeiro lugar, cavalos , automóveis, aeoplanos... passou a ser um Derby.

Nos últimos dias, a partida de futebol entre o Benfica e o Sporting aparece nomeada desta forma. Só que, em inglês, aquele E...soa como /a:/ .Coisas desta língua germânica, que não gosta de mexer na ortografia e se mantém fiel ao "dantes".Tentei lembrar-me de mais alguma palavra em que o "fenómeno" aconteça. Ocorreu-me o nome daquela fabulosa - e lindíssima - artista, também ela inglesa, Deborah Kerr, onde o E também se pronuncia /a:/. Não somos ingleses, não saber estes pormenores não é coisa de monta.Eu...é que tenho "ouvido de tísica" - o que me me levou a partilhar.

publicado por mfssantos às 20:31

24
Nov 11

De facto...eu sou mesmo muito "antiga"...

Já posso dizer " no meu tempo"...

 

No meu tempo, a palavra "política" não se ouvia por aí. Com certeza seria usada...e praticada. Eu é que estava muito longe do assunto, criancice, ignorância...não sei. Tenho uma ideia de que havia "os da situação" e os que eram contra a situação. Estes eram, por vezes, apelidados de "democratas" ou  reduzidos a "comunistas"- com toda a conotação negativa da palavra... (se até comiam meninos ao pequeno almoço...!!! )

Nos complementares, que correspondiam aos actuais 10º e 11º anos, havia a disciplina de "Organização Política e Administrativa da Nação", mas nem aí se nos abriram portas para este mundo! Imaturidade? Indiferença? Ou determinada insípida e inócua apresentação do assunto? À distância, não saberia dizer. Hoje concluo facilmente que tudo é política, ela faz parte do nosso dia a dia, com conteúdos e gradação variáveis. Exemplifico:quando opto por comprar produtos portugueses, estou a fazer política;quando me recuso a usar o carro da minha repartição, se vou passear com a família...estou a fazer política; quando recuso serviços "mais em conta" sem IVA...estou a fazer política; se opto por tratar os funcionários que de mim dependem pedindo "por favor" e dizendo "obrigada"...estou a fazer política - digo eu, à minha maneira. Pois é,vem de dentro, está na atitude.

 

Com o 25 de Abril, todos fomos mergulhados na política, tomámos consciência que havia alternativas diversas para governar os países, que estas eram mais assim e aquelas mais assado - passe a expressão - que era preciso reflectir,pensar, avaliar, criticar para melhor construir...e optar, cumprindo depois escrupulosamente o acordado . Foram tempos gloriosos, de expectativa e entusiasmo, de disponibilidade para servir ...pese embora a revolta daqueles que tinham perdido privilégios...

As circunstâncias, as dificuldades, as oposições, provavelmente, a impreparação - e a desonestidade de alguns - fizeram ruir muitos sonhos. Porém, sabemos que muita coisa permanece; e que aquele passado autoritário e cinzento jamais terá condições para regressar. É que há aprendizagens que se não deixam destruir.

 

E chegamos ao dia de hoje: uma greve geral põe na rua um povo que se questiona sobre o caminho a seguir, para continuar a construir um país onde os direitos humanos prevaleçam contra os abusos de mercados, de poderosos, de exploradores...

O voto, expoente máximo da democracia, deu aos nossos representantes o dever de "arrumar a casa", displicentemente "desarrumada" ao sabor de um novo-riquismo ignorante, de usos europeus para nós incomportáveis, de facilidades bancárias, de crédito fácil...de muitos abusos. Só que se não fazem omoletas sem partir ovos... E, na minha ignorância, parece-me que muitos vão ser partidos...Esperemos que as galinhas não sejam degoladas...

 

Onde a força para resistir? para perseverar? para não deixar de sonhar? "O sonho comanda a vida", já dizia o Poeta...

Seremos nós capazes?

publicado por mfssantos às 17:44

21
Nov 11

"Ti Ana, para que fez Deus as moscas?", assim perguntava a criança à tia que tentava adormecê-la.

"Escuta, meu menino. Havia uma velhinha que, sentada ao sol,ou perto da lareira, na varanda ou no jardim...se aborrecia de morte. Não tinha com quem conversar, já não podia fazer meia nem renda, filhos e netos andavam por fora...e, então, rezou e pediu a Deus que lhe desse com que se entreter. E Deus deu-lhe as formigas. Estas eram atrevidas, entravam em tudo que fosse doçura e faziam muitos estragos. Entretanto a velha, cansada de as perseguir com a sua bengala, pediu na botica uns pós mágicos que afugentassem aqueles bicharocos incomodativos. E eles foram-se, voltando a velha à monotonia de seus dias.Arreliada, voltou a rezar "Senhor, dai-me algo para ocupar a minha solidão!" E Deus deu-lhe as pulgas. Estas atacaram o cão, os gatos e acabaram por se meter nos folhos da saia da velha, fura aqui, salta acoli...e pica em todo o lado! Bem se esforçava a velha por se livrar delas...mas aparecia sempre mais uma... Foi então que resolveu aquecer um caldeirão de água, encher a enorme bacia de zinco, procurar uma barra de sabão...e tomar um belo banho, lavando de seguida toda a roupa. Arejou a casa, pôs lençóis e cobertores ao sol, vestiu-se de lavadinho...e, em breve, estava outra vez sentada na sua cadeirinha sem nada fazer, muito, mas mesmo muito entediada. Mais uma vez, pediu "Senhor, dai-me com que ocupar os meus dias". E Deus fez-lhe a vontade e... criou as moscas!

Resposta pronta do menino, na inocência dos seus quatro, cinco anos "Ti Ana, rais partam-na velha!" 

O menino era o meu Pai e a tia uma das irmãs de meu Avô Nicolau.

 

No dia de hoje, há muito,muito tempo, terminava eu a minha Licenciatura. Durante trinta e sete anos partilhei o que aprendi com dezenas de jovens. Uma vez aposentada, filhos encarreirados na luta por um lugar ao sol, netos preciosos a aprender a ser gente, não  me sinto - ainda! - como a velha da história...Já hoje desempenhei, vagarosamente é certo, uma molhada de tarefas domésticas, já tratei de mim (!), lavando o cabelo e enrolando-o, para acamar, como antigamente fazia a minha Mãe ( ai como me vou parecendo com ela cada vez mais, a cada dia que passa!), visitei uma jovem mãe e o seu bébé recém-nascido, "emprestei" meus ouvidos para ouvir a neta preparando uma peça nova na guitarra, vi um belo filme na tv, li mais umas páginas de "A Curva do Rio"... O dia ainda não terminou... E rezo "Senhor, que eu possa sempre dar graças pela monotonia de meus dias! " É que a educação que recebi e... a vida... me ensinaram  que ocupar a cabeça e as mãos é a melhor forma de resistir ao tempo, "enganando" a velhice tão próxima. 

publicado por mfssantos às 17:49
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14
Nov 11

Ontem, a chamada de atenção de Rita Ferro para erros frequentes de língua portuguesa em televisão, deixou-me a pensar. É que também eu me arrepio , e até aponto coisas espantosas como estas:

 

               É preciso que "se acabem com paraísos fiscais" 21.30, 18-10-11, rtp2

              ..."daí haverem dois ministros." 8.2o, 15-4-11,tvi

              ..."continuam a haver crianças..."8.30,rádio,I.S. à conversa com Eduardo Sá

              ..."as reformas que são preciso ser feitas" (....????)

              ..." a tendência ´autista´ da bolsa..." há dias,programa da manhã rtp1

 

Que dizer do "houveram" tão frequente? Há dias, alguém a frequentar um curso de valorização profissional, num conjunto de pessoas todas elas licenciadas, me referiu o constrangimento entre todos, ao ouvir o formador, com um doutoramento já não sei em que área, usar repetidamente ao longo da tarde "houveram"..."houveram"..." houveram"!!!

 

E dizia o Poeta "A minha Pátria é a língua portuguesa" - pobre Pátria, pobre língua.

publicado por mfssantos às 18:24

10
Nov 11

A UNICEF, sem dúvida. A consciência de que, por pouco que tenhamos, um pouco desse pouco significa MUITO para crianças apoiadas por esta organização, não nos pode deixar indiferentes.  Por exemplo: um euro dá três lápis e três cadernos; sete euros fornecem ardósias e lápis de cor a dez crianças;quarenta e cinco euros fornecem um kit escolar individual a quarenta crianças e um professor; setenta euros dão três redes e três bolas de voleibol...

 

Contacte: www.unicef.org/girlseducation

 

publicado por mfssantos às 09:32

05
Nov 11

Terei percebido bem? A Metro Mondego definitivamente "suspensa", ou a linha da Lousã definitivamente posta de lado?! Terão a noção do quanto as populações da zona estão a ser prejudicadas? Má gestão? "Roubalheira"? Incompetência , sem dúvida. E passaram 15 anos! Quem porá ordem no descalabro? Justiça seja feita.Sem demora.

publicado por mfssantos às 22:23

03
Nov 11

{#emotions_dlg.tongue}Creio que foi a torre da catedral de Notre Dame, em Paris. E valeu a pena!

Mas, em Portugal, também há alturas que proporcionam vistas assombrosas. Que dizer da do alto de St. Luzia, em Viana do Castelo? Ou do panorama sobre Coimbra, a partir da torre da Universidade? Ou das belíssimas vistas que nos oferecem as nossas serras, a da Estrela, a da Lousã, a do Gerês... É preciso é não ter medo das alturas...

publicado por mfssantos às 17:58

Não sei bem a quem me dirigir...Talvez por isso, pensei na SAPO...Será?...Vou directa ao que interessa: de quem será a obrigação de sinalizar de forma inqestionável as entradas na Via Verde? Explico: já mais de uma vez me "enganei" na entrada da A1, aos Carvalhos, no sentido Porto-Lisboa. De longe, "aponto" para o letreiro no topo do portal; a poucos metros, quase em cima da entrada, é preciso "guinar"de modo a "acertar"; ou, em alternativa, "esquecer" a Via Verde" ... Nalguns casos, ali mesmo ao lado até, há sinalização pintada no pavimento a partir de muito longe. Pois bem, é isso mesmo que sugiro, pintem no chão, de bem longe, o sinal  de Via Verde.

E, mais uma vez, esta "máquina" mudou o tipo da letra sem que eu lhe "desse a ordem"! Será que ela, a máquina, pressentiu a relevância do meu pedido de ajuda?...Desde já, fico grata a quem possa ouvi-lo.

publicado por mfssantos às 12:15

02
Nov 11

"Esta é a geração dos que procuram o rosto do Senhor".

Salmo 23/24

 

Este o pensamento deixado no Dia de Todos os Santos.

Sem o saber, talvez sem o admitir, todos andamos à procura de inspiração para construir um mundo melhor. E vamos às raízes, fazemos comparações, procuramos exemplos nos nossos "maiores". A romagem aos cemitérios, as homenagens em flores, talvez uma prece num desejo de paz, a saudade doutros tempos...disso dão testemunho. A eles dedicamos o dia de hoje.

 

Também eu regressei à aldeia, à casa e à última morada dos meus, o mínimo que poderia fazer, enquanto posso, para dizer "obrigada", no meu coração continuam presentes.

 

Na viagem de regresso, sozinha com os meus pensamentos e as minhas recordações, só me vinha à ideia aquele verso inicial de um poema de Thomas Gray, jóia do Romantismo inglês, que Paulo Quintela dizia com comoção

                                                                                                    

                                                    " The curfew tolls the knell a parting day..."

 

(Se bem me lembro, a Marquesa de Alorna traduziu este texto)

.

publicado por mfssantos às 09:27

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