"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

25
Jul 11

Na minha terra é assim que se chama. Na falta do que os usos de antigamente proporcionavam, podemos, com os recursos actuais, tentar...e talvez se consigam semelhanças...

 

Cubra o fundo do tacho (da caçoila...) com um dedo de bom azeite. Por cima, junte uma boa camada de dentes de alho, folha de louro, um ramo de salsa, uma boa colher de colorau (pode ser picante...). Calcule uns duzentos gramas de carne por pessoa (carne de cabra!), corte em pedaços de uns 10/15 cms., lave e acame no tacho (caçoila). Cubra de vinho tinto  (maduro !!!) e coloque...(antigamente, era no forno de cozer a broa...) ao lume. Deixe ferver, lentamente,até o molho reduzir e a carne ficar tenra - uma hora, ou mais, dependendo da quantidade ; se quiser, pode pôr no forno na última fase da cozedura. Sirva com batata cozida branca, daquela que se esfarela, e grelos, se for tempo deles.

Não acredito que não gostem.

 

Depois...para o dia seguinte,há a "Sopa de Casamento". Ainda é mais fácil de confeccionar. Ora experimentem:

Comida a saborosíssima chanfana, resta-nos o molho - que não pode desperdiçar-se! Num pirex (numa pingadeira de barro...), cloque fatias de pão duro, cubra com couve branca cozida em água e pouco sal, e regue com a calda que cozinhou a carne; meta no forno, só para tostar. Vai ver que é bom.

 

Com a sobremesa de arroz doce, esta é a ementa das festas na minha aldeia beirã.

No dia em que a tv faz a apologia da Chanfana como pérola da gastronomia portuguesa, faço gosto em partilhar o que os meus maiores me legaram.

 

publicado por mfssantos às 16:43

20
Jul 11

Ter de aguardar, aguardar a sua vez, nunca é coisa agradável. Pior ainda se não há um jornal, um livro para ler, uma carta para escrever...(!), quem sabe, uma tv. com um daqueles programas...os tais que, supostamente, são do agrado do grande público...Que fazer, então?

Hoje dei comigo a observar quem entrava e saía, não apenas a olhar sem ver, como as mais das vezes, mas a observar mesmo. Que descobri? O que me chamou a atenção foram as cabeleiras exuberantes das jovens mulheres que se dirigiam em passo firme aos seus destinos. Coincidência...ou, talvez, a moda. Lisos, ondulados, pintados por vezes, cabelos bem tratados...Beleza!

Dei comigo a interrogar-me "como era eu naquela idade?"... Coisas de quem não tem nada interessante para fazer...E dei comigo a sorrir, à lembrança "daquela vez"...Que vez?! Aquela vez em que as minhas ricas tranças foram literalmente devastadas pela tesoura do Sr. Monteiro, o cabeleireiro da minha Mãe...Já não sei o como nem porquê  da decisão...Talvez dessem muito trabalho...levassem muito tempo a entrançar...Quem sabe, talvez já não fossem "apropriadas"  aos meus onze anos espigados...Não sei. Só sei  que as vi desfeitas, esfrangalhadas, no chão...E pedi uma mão cheia daqueles cabelos castanhos cor de castanhas para guardar. De saída para a rua, olhos embaciados, o coração acelarado, enterrando até às orelhas o chapéu de feltro branco com fita azul escura das meninas do meu tempo, só me interrogava " o que irá o Pai dizer?"...

Agora, que recordei melhor a coisa... já não sorrio...Parece-me até - on second thoughts - aquele foi um momeno bem dramático para uma rapariguinha insegura...

Entretanto...chegou a minha vez...regressei do passado, deixei a sala de espera - fui à vida.

publicado por mfssantos às 22:57

17
Jul 11

Utilizar o novo acordo ortográfico...? Dificilmente...Facto...vem de factum, que também originou feito...Jacto...vem de jactum...que também deu jeito..

Não dá jeito nenhum "esquecer" estas coisas.

publicado por mfssantos às 19:27

15
Jul 11

Tenho andado afastada destas lides...A aldeia oferece atractivos e afazeres que têm muita força.E uma casa com jardins e quintal, daquelas que se construiam quando havia "um quadro de pessoal" adequado às necessidades inerentes, exige grande investimento - em trabalho, muito mais em amor, quase sempre à mistura com uma enorme saudade. E, assim, as quase três semanas idas resultaram num tractor carregadinho do lixo acumulado desde a Páscoa, hortenses, roseiras, dálias e a glicínia frondosa copiosamente regadas, carreirinhos recobertos de gravilha branca...tudo isto, e mais, à mistura com umas arranhadelas, mordidas de bicharada revoltada com a invasão de seus domínios, unhas partidas e cabelos esguenipados - tudo pelo prazer de, no fim, regalar a vista com uma merecida pausa debaixo da nogueira e da cerejeira, abarcando com o olhar, lá ao fundo, o Senhor da Serra e os vultos das serranias da Lousã e da Estrela. No pensamento, aqueles que, antes de mim, criaram o local, o alindaram e viveram...as suas imagens, presentes na mente, reproduzidas nos gestos, vizualizadas numas mãos ou num jeito ...aqueles a quem desejamos que estejam em paz. Tanta saudade! A vida.

publicado por mfssantos às 20:20

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