"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

17
Jun 11

Professor  Nuno Crato, bem vindo! Bom trabalho!

Uma professora aposentada

publicado por mfssantos às 18:31

Na garagem estava o Hilman de 48. Bem conservadinho, com pouco uso, aguardava os meus dezoito anos...Logo no dia seguinte , a minha Mãe iria emancipar-me e meter a papelada para eu tirar carta...Lições de condução? Duas ou três para me habituar ao "carocha" (cujos travões já eram muito mais "modernos" que os do meu Hilman...e me levaram quase a bater com a cabeça no vidro à primeira travagem...) no qual fiz o meu exame de condução.E passei! Teimosa!Fiz, de marcha atrás, a ruela( que já não existe), junto ao antigo club de ténis ,a um palmo da parede, com o examinador a dizer"Não aprendeu a conduzir com o instrutor, pois não?" Mal ele podia imaginar que eu pegava em carros desde os meus dez, onze anos...até mesmo antes do Hilman...Lembro o velho Fiat grenat , de capota de lona e janelas  de mica, com saudade: nele é que fiz todas as "asneiras" de  principiante...e ele tudo "aguentou"!

 

Faltava a prática de andar na estrada. Essa só veio muitos quilómetros e muitos carros depois:do centro ao norte no Fiat de banco corrido, onde cabia a família toda (não havia cintos de segurança obrigatórios...); no NSU azul ferrete novinho em folha; no Renault 16 com mudanças ao volante; mais tarde numa série de BMWs, um deles de caixa automática, que ficaram para sempre os preferidos da família...

Ainda hoje, já na dita "terceira idade", pego no meu Seat com 15 anos e 10.000 quilómetros (!!!)e faço duas horas até à aldeia sem grande problema. Ao chegar, as casas do povoado já à vista, o cemitério de muros brancos lá ao fundo, lembro sempre aquela Mãe tão "para a frente" que me preparou para enfrentar a vida dos nossos tempos, incluindo a possibilidade de pegar num carro, para o trabalho ou para o lazer, sempre uma mais valia.E agradeço, os olhos baços de comoção.

 

A minha sorte a não têm aquelas mulheres que, na Arábia Saudita (era hoje noticiado) e, provavelmente noutras partes do mundo, têm de lutar por este direito a conduzir. E por outros, ainda mais relevantes e urgentes.

 

Direitos Humanos...quem os defende e protege?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Direitos Humanos...quem os defende? 

publicado por mfssantos às 15:12

16
Jun 11

Estes últimos dias, o país tem andado curioso, procurando antecipar o próximo governo. Sugerem-se nomes, vetam-se nomes, ministro disto, ministro daquilo...Quero deixar aqui registada a minha perplexidade: nunca a palavra Educação foi pronunciada nestes alvitres e sugestões/suposições! Acaso? Indiferença? Tanto faz? Não tem importância?

Mal vai o país que não investe na educação... Entretanto...aguardo, ministro/a...programa...estímulos para professores e alunos...conscencialização da urgência em definir objectivos de acordo com os tempos que correm, de investir em formação permenente de formadores, de gizar horários compatíveis com uma vida pessoal de alunos e professores, de tornar as aprendizagens atraentes e efectivas, dirigidas à resolução de problemas de todos os dias...e tudo feito com seriedade!

No dia em que os jornais falam nas primeiras páginas do "copianço" praticado por gente de Direito, em provas para acesso a postos de trabalho relacionados com a aplicação da Justiça... a palavra "seriedade" concentra em si uma maior força e, no nosso íntimo, gritamo-la com indignação.

Afinal, qual a importância da Educação?!

publicado por mfssantos às 09:40

12
Jun 11

Pergunta a Sapo que sobremesa proporíamos, se fôssemos abrir um restaurante.

Correndo o risco   de parecer desinteressante...eu apresentaria o arroz doce à moda da minha avó Luísa, como se faz na minha aldeia beirã. Não é nada de especial, lá na terra  toda a gente sabe fazer. Só que o meu...é diferente, pelos vistos. Já dei a receita a muitas pessoas,mas dizem sempre " que lhes calhou mal", que eu tenho um segredo que não dou! Mentira. Digo apenas que é uma questão de paciência.E de tempo. Ora experimentem:

 

Ponha ao lume um tacho menos de meio com água, umas pedrinhas de sal, uma colher de sopa de manteiga e uma casca de limão.

Lave uma chávena grande de arroz carolino ( ou malandrinho) e junte-o à água quando ela ferver, reduzindo o lume depois. Vá mexando sempre com a colher de pau.

Quando a água começar a secar, vá juntando leite frio aos golinhos. E continue sempre a mexer com a colher de pau. Uma chávena grande de arroz "bebe" quase dois litros de leite!

Quando o arroz estiver cozido e bem embebido no leite, junte duas chávenas ( a medida que usou)de açúcar - pode "roubar" um bocadinho...

E contiue a mexer, raspando no fundo do tacho, para não "pegar". E o lume continua brando!

Logo que o preparado ganhe um certo brilho, significa que "está no ponto". E já podia ficar por aqui. Muita gente assim faz. Eu...não.

Tiro o tacho para fora do lume, mexendo sempre, e junto 3/4 gemas, já diluídas num pouco de água e passadas por passador de rede, mexendo bem, para não "talhar".Levo ao lume uns 2/3 minutos...e está pronto.A consistência deve ser cremosa, pois, quando arrefecer, vai solidificar um pouco. Depois... é só despejar no prato e enfeitar com canela a gosto: grades, rodinhas, corações, árvores de Natal...o que a sua imaginação lhe ditar.

 

 Sucesso! Apetite não vai faltar. E não me digam que guardo segredo!

publicado por mfssantos às 18:19

11
Jun 11

Chegaram felizes. Pálidos (do esforço?),desgrenhados (do capacete?) sorriso de orelha a orelha, disseram:já cá estamos, correu bem. Na véspera tinham avisado: vamos dar um passeio, não temos horas para chegar. Está bem, disse. Mas um ratito de preocupação ficou-me no peito. É sempre assim, há mais de vinte anos para cá...

Quando o problema se pôs pela primeira vez, desabafei com uma velha amiga que, de sorriso meio misterioso, meio malarandro,comentou e disse:Vou-te contar uma história...Aqui há uns tempos , o meu irmão telefonou-me e perguntou:"Dás-me de almoçar hoje? Posso levar uma pessoa amiga?" Claro que podia. Uma hora depois, vim para a janela, aguardando que chegasse. E vi parar uma moto. O meu irmão desceu e, solícito, ajudou o "pendura" a desmontar; com cuidado, tirou-lhe a protecção da cabeça e...ó céus! era a nossa Mãe! De Coimbra à Marinha, abraçada àquele filho, que fazia vinte anos de diferença da irmã mais velha...Quanto amor, quanta confiança!Como vês, disse, eu não serei a pessoa indicada para pedires ajuda na tua ralação...

Mas foi. Desde então fui-me habituando a aceitar, a confiar na capacidade, na prudência, no respeito pela "máquina", na sensatez do meu filho quarentão ( mas que me parece sempre criança...), que leva a mulher "a arejar" no pino do cansaço, que treina os filhos adolescentes na sua própria moto ou nas que amigos lhe emprestam para o mais novinho, que "investe" nesta e noutras práticas desportivas e de ar livre com os filhos, de igual para igual...na esperança de , com isso, lhes promover a auto-confiança, o respeito pelo risco,o espírito de grupo, o gosto pela aventura sadia...longe de bares, discotecas, noitadas...situações pouco recomendáveis...Conseguirá? Tenho esperança que sim...

Entretanto...Já o meu Pai gostava de motos! Antes de ter carros, teve motos...Quando? Bem, pelos meus cálculos, aí por 1930, 34, 35...Para que me ralo tanto...?Tenho mas é de os "entregar ao St. António", como costumo dizer, quando não tenho solução para as minhas angústias!

publicado por mfssantos às 18:05

10
Jun 11

Neste dia de Portugal, de Camões e das Comunidades,televisão ligda toda a tarde, já cansada de discursos e comentários a discursos, "apanhei" por sorte, na RTP2, um programa sobre Zeca Afonso que me pareceu também um pouco da história dos últimos cinquenta anos.

 

Conheci o Zeca Afonso ainda estudante, em Coimbra. Lembro-me dele de capa e batina, fitas azuis ao vento, colaborando com o Coral dos Estudantes de Letras da Universidade de Coimbra (CELUC), fazendo a última parte dos espectáculos com baladas e fados. Numa viagem memorável a França, teve enorme aceitação , na cidade universitária  em Paris,num teatro de Biarritz, e entre todos os companheiros de aventura. Duma enorme simplicidade, insensível ao seu próprio  valor,muito ao contrário, achava sempre que estava mal, que a voz lhe faltava, que "a coisa" não correra bem! Como se enganava! Ele já dava mostras da diferença, já preconizava a mudança que a sua música havia de realizar. Passados anos, numas férias na praia, voltámos a encontrar-nos, já saudosos de um vida académica passada, sonhos e projectos a tomar conta das nossas vidas. "Ando agora a congeminar umas coisas...bem...não é fado de Coimbra...vamos ver..." Mais uma vez modesto, talvez inseguro, mal imaginaria na altura a importância que viria ter na música portuguesa, na vida portuguesa, na sua procura de justiça social, na sua participação na conscencialização das populações ...passando da balada à canção de protesto, de combate, de denúncia dos abusos, tendo sido preso por isso mesmo; nem assim o seu poder criador diminui, ao contrário, a sua produção poética evoluiu em qualidade crescente...e, daqui a cinquenta anos ele continuará a ser apreciado e cantado, como neste programa feliz hoje afirmou António Vitorino de Almeida.Retratado por intervenientes de várias origens sociais e profissionais, um traço comum nas narrativas me tocou : todos se emocionaram ao evocar aquele último concerto no Coliseu, em que, já muito doente, conseguiu ainda galvanizar o público e viver com alma a sua arte.

 

Num dia em que é esperado celebrar Portugal e os Portugueses, foi uma escolha acertada evocar o músico e o Homem ,com o pano de fundo da época especial em que viveu.

publicado por mfssantos às 22:38

06
Jun 11

" Nas épocas difíceis não há cargos fáceis"

   José Hermano Saraiva

 

No dia seguinte às Legislativas, a frase vem a calhar!

No mesmo programa, durante uma visita à galeria de retratos de Presidentes da República, o historiador salientou estarem lá TODOS. E comentou."Aqui há lugar para as diferenças", terminando com algo significativo"Cultura é isto mesmo".

 

Gostei.

publicado por mfssantos às 15:40

04
Jun 11

A minha rua está mais pobre: cortaram três enormes árvores,da família dos pinheiros nórdicos, tipo árvore de Natal, (não sei o nome científico)que, pelas minhas contas, poderiam ter uns 50 anos... Dói-me sempre ver anular um ser que precisa tanto tempo para marcar o seu lugar...Haverá razões, não sei quais... Mas espero que sejam de peso. Se não... revelarão apenas ignorância.

 

Portugal está mais rico. Sim, reafirmo: está mais rico. É que nem só o dinheiro significa riqueza, como muitos, infelizmente, pensarão. Eu atrevo-me a propôr outros valores, eles bem significativos da fortuna de um povo. O conhecimento, a ciência, a arte, o profissionalismo...engrandecem um país. É o caso do arquitecro Souto Moura, a quem foi atribuído o equivalente ao Nobel da Arquitectura - o prémio Pritzker. Em Washigton, o Presidente Obama fez o discurso da entrega; e até referenciou o Estádio de Braga! Portugal na boca do  mundo , que não por desvarios e erros difíceis de corrigir...

 

Afinal...ainda há esperança!

publicado por mfssantos às 11:22

01
Jun 11

1 de Junho, dia da Criança 

 

"A felicidade de uma criança passa por chegar a casa e ter alguém que lhe abra a porta"

                                          Florinda Alves, 70 anos   -    Charneca de Caparica

publicado por mfssantos às 14:29

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