"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

31
Mar 11

 Mas esta é de um Poeta, com maiúscula! Reli...tocou-me - partilho:

 

 

 Envelhecer é este frio de flor seca. Caverna desabitada

 com uma fogueira no centro, a arrefecer devagar

 - templo

 sem altar

 onde os frutos já não transformam

 a magia do sol em sumo.

 

 

 E os ponteiros de cinza

 dos relógios

 em vez de aquecerem o tempo

 desfzem as horas em fumo.

 

 

 José Gomes Ferreira, Poesia VI

publicado por mfssantos às 16:04

26
Mar 11

Não me tem apetecido escrever. E não é porque sinta a cabeça (o coração?) oca...Ao contrário : interiormente há um turbilhão de ideias, perguntas, inseguranças..Mas....Para quê registar o negativo? Não vale a pena.

 

Porém , o desafio lançado pela Sapo, a nós, país de poetas...acendeu uma luzinha! Não que, de momento, me ilumine alguma inspiração; mas porque me fez ir folhear papelada antiga...sim, porque eu sou do "tempo do papel"; e da caneta, que ainda hoje uso com alguma frequência...enfim, hábitos, que "vão fazendo o monge"... Pois...resolvi partilhar...coisas antigas, sem valor especial, momentos de outra época. Aí vai:

 

RETRATO

 

De cima da mesa

Sorri-me do retrato

O rosto rechonchudo

De criança,

Olhos redondos,tranquilos,

A confiança

De alguém que o amor envolve e cria.

 

De dentro do album de retratos

Daquela doce infância protegida

O mesmo rosto emerge

Com frequência

Duns braços de mulher, que irradia

a luz que ilumina todo o grupo...

 

A mãe dessa criança já morreu

E a criança, essa, sou eu.

 

Janeiro de 89

 

 

Como é Primavera, aproveito...

 

 

Abro a janela

E do quintal ergue-se

O aroma estonteante a laranjeira

Um melro negro, biquinho amarelo,

Saltita, enervado, pelo chão.

É Primavera.

E eu louvo a Deus pela quimera

Realizada cada ano em cada grão.

 

Cada semente recriadora dá vida

À vida em solidão.

 

Maio de 89

 

 

Não se esqueçam de mudar a hora! Se outras coisas pudessem ser mudadas da mesma forma...

publicado por mfssantos às 11:30

18
Mar 11

Estes são os tempos de todos os espantos, de todas as perguntas, de poucas respostas e muitas angústias...

 

Um terramoto, grau nove ou lá perto, seguido de tsunami devastador; um país afundado em água e em radiações, um povo disciplinado, instruído, preparado para enfrentar problemas com enorme dignidade e conhecimentos, agora dolorosamente confrontado com uma dura realidade...e nós, cada vez mais conscientes da nossa insignificância perante as forças da Natureza!

 

Os regimens ditatoriais a ser questionados, no Norte de África, na zona do Golfo...e as gentes, os povos sequiosos de água e, mais ainda, de justiça, martirizados por ataques que já não se entende bem de quem vêm... Ó mundo virado do contrário !

 

Outro terramoto, este político...económico, social...o nosso país incapaz de se unir numa causa comum, que englobe as prioridades para tentar resolver os problemas que tocam a todos...uma linguagem agressiva, de baixo nível, corriqueira, de mesa de café...não de tribunos que nos representam (!)...discussões, repetições...perdas de tempo(?)...que triste espectáculo!E que desgaste inglório! Entretanto...é o que se vê...se sente (?)...

 

E as pequenas/enormes preocupações familiares...a saúde...o trabalho...os estudos...as"encrencas" que é preciso resolver todos os dias...Estes têm sido uns tempos complicados! Ah, se têm! Que será o futuro? Que poderemos programar com segurança? Quantos acontecimentos nos poderão surpreender...para bem..e para pior...Onde  as forças para encarar tanto desafio?

 

Tempos de luta.

 

 

 

publicado por mfssantos às 18:25

14
Mar 11

O telefone acaba de tocar. Atendo uma voz desconhecida, que se identifica.Se bem que eu não posso confirmar a identificação, claro. Educadamente, sou informada que se trata de um inquérito de uma empresa de sondagens bem conhecida no mercado. Pergunta-se: no momento tem alguém do sexo masculino aí em casa? E especifica-se: entre os quinze e os trinta e cinco anos...E a menina, ou senhora, que idade tem? (Esqueceu-se da tal "regra", que diz ser...pouco simpático... perguntar a idade a uma senhora...) Setenta e três, respondi calmamente. "Ah, então não pode ser entrevistada, peço muita desculpa". Não tem importância, respondi. E desliguei.

 

Mas fiquei a pensar: então a provecta idade senior de setena e três não "serve" para chegar a conclusões?! Ora esta! E eu a pensar que a experiência dos mais velhos teria algum valor! Ah, e também teria que ser do sexo masculino! Céus, em que mundo estamos?! A diferença de género conta para quê? Só me lembro de algo intransponível, por enquanto(!): só as mulheres podem dar à luz!De resto...

 

Se bem percebi, tratava-se de um inquérito sobre imprensa, hábitos de leitura de revistas, jornais...

Bem podem pesquisar , a ver se a informação é fiável, se a opinião aparece como tal; se a imprensa cumpre também o seu papel pedagógico de dar alguma formação...; se diverte e preenche tempos livres...quem sabe, se publicita menos e com mais qualidade na escolha do que é publicitado...

 

Utopias de uma velha senhora, não?...

publicado por mfssantos às 18:27

07
Mar 11

 Sabem o que é?Papas de grã...? Papas...toda a gente sabe. Mas grã...? Será da família de grão...? Quem sabe...o feminino de grão?!

 

Não sei. Mas sei o que é "grã". Vejamos:para obter a farinha, em moldes tradicionais, as duas pedras do moinho são "afinadas" de modo a conseguir aquele pó finíssimo com que se fabrica o pão, os bolos e outro tipo de massas. Se as pedras tiverem uns dois ou três milímetros mais entre elas, os grãos de milho não são totalmente esmigalhados, ficam apenas"traçados". É isto a grã, com que se fazem as tais papas.

Era o prato de Carnaval em casa da minha Avó materna. A explicação...imagino-a: os "mimos" da matança do porco por altura do Natal estão prontos para a prova. O presunto posto em sal durante pouco mais de uma semana já foi curado ao fumo da lareira, o mesmo se podendo dizer dos enchidos, farinheira, chouriça de carne temperada de vinha de alhos, chouriças de colorau...tudo já sequinho, a barriga de porco  na salgadeira, junto com os ossos da suã...Tudo a postos.Isto sem esquecer as perdizes trazidas pelos caçadores da família, na recente aventura pela serra.Vamos, pois, às ditas papas.

 

Num panelão, pôr a cozinhar todas as carnes, o tempo necessário para quase se desfazerem. Juntar mesmo no fim os enchidos, para a farinheira não "rebentar" ( e, se rebentar, também não perturba!).Tirar as carnes para uma travessa, provar de sal ( não deve precisar...),e engrossar com a dita grã, passada por água, para prevenir algum pó... Quando ferver, baixar o lume e , não deixando de mexer, cozinhar até atingir o grau de cozedura preciso. Atenção ,que a grã engrossa e, ao arrefecer, solidifica um pouco. Por isso, a consistência das papas não deve ser dura.

 

A minha Avó servia em pratos individuais, para ficar lisinha, as carnes que se não desfizeram na calda partidas à fatia, numa travessinha. Garanto que é um pitéu.

 

Como me fui lembrar desta? É que vi na tv um programa sobre Ribeira de Pena, onde este mesmo prato também aparece associado ao Carnaval.Delícias de um Portugal serrano, do interior, com riquezas e beleza desconhecidas de grande parte das populações ...e da geração do Mac Donald's...

publicado por mfssantos às 15:50

02
Mar 11

"Nada no Mundo Deve Ser Subestimado"

 

Nada # Ninguém

 

Deve: de acordo com a lei dos homens? pela lei moral? por sensatez...?

 

Subestimado: sub - designstivo de inferioridade, dependência. substituição

                       estimado: amado? calculado? avaliado?

 

Conclusão: "Não há palavras exactas"...a não ser "exacto" !

 

 

 

 

NADA

 

Não subestimemos o ar que respiramos

                               a água que bebemos

                               o sol que nos dá luz

                               o fogo que acalenta...

 

o oceano revolto

os ventos em turbilhão

as águas em catadupa

e tanta poluição...

 

Não subestimemos a fome

                               a desavença tribal

                               a doença que consome

                               o desejo animal...

 

Não subestimemos a ignorância

                               o fanatismo

                               a gananância

                               o oportunismo...

 

"Nada no mundo deve ser subestimado"

 

 

NINGUÉM...deve ser desrespeitado

                                excluído                     

                                maltratado

                                destruído

                                humilhado...

 

esquecido...

relegado para um canto

isolado

mal amado...

desprezado...

 

"Amemo-nos uns aos outros" e

"Não nos subestimemos"!

 

                             Temos força,

                              energia ,

                              um sonho,

                              uma ambição...

 

E, mais valioso que tudo, bate-nos bem ritmado

no peito um coração. 

 

                                                   2011

 

 

 

 

Despretensiosamente...ainda o "efeito" das Correntes.

 

 

 

 

  

 

publicado por mfssantos às 14:47

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