"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

21
Nov 10

1960 foi um dos mais importantes anos da minha vida.No dia de hoje terminava a minha Licenciatura, após exames que exigiam, para além da necessária preparação...muita calma, resistência à pressão e ao cansaço de uns últimos dois meses a trabalhar oito horas diariamente...Pois é, mas Agosto,  em Mira, com a minha grande amiga de percurso,só parávamos para ir ao banho na lagoa, pelo meio dia, para um cafezito no fim de almoço e pouco mais...E, em Setembro, na aldeia, em minha casa, o programa só diferia porque não havia água para nadar...uma curta soneca substituia o banho e a ida ao café...Mas oito horas...eram certas.

Valeu a pena: pelo que aprendi, valorizando-me, e pela independência que o ter um curso, que me deu acesso a uma profissão, me permitiu. Devo esta etapa ao esforço de Mãe, que se deslocou comigo, apoiando-me incondicionalmente naqueles sete anos académicos.É a ela que, hoje, nesta data, lembro com saudade e gratidão.

publicado por mfssantos às 22:45

14
Nov 10

Após uns dias na aldeia, cá estou de novo no "berço". Com tempo soalheiro, nada melhor que o campo. Quando os dias mingam, as nebelinas se deitam nos cumes, o vento assobia chamando a chuva...um apartamento pequeno, aconchegado...dá mais jeito...menos trabalho, é mais prático. Aqui estou pois, feita a renovação das janelas (velhinhas de 75 anos), menos preocupada com a invernia do temporal, mais só, sem a presença da minha "sombra", a pastora alemã que repete os meus passos sem desistir...Dedicação canina, incondicional e meiga. Como resistir? A Vida é feita destas pequenas  (grandes?...) coisas.

publicado por mfssantos às 19:19

Nesta data, em 36, talvez por esta hora  (...) casavam em Fátima meu Pai e Minha Mãe. Sei que a cerimónia se atrasou, fugiu à "normalidade" por  não se encontrar presente o Pároca da freguesia...Não houve outro remédio senão esperar. Mas o que sempre me questiono é como se deslocaram noivos, familiares, convidados,percorrendo uns 70 quilómetros por estradas "manhosas", com os veículos da época! Ainda havia carro de cavalos lá por casa, mas os primeiros automóveis já tinham chegado à aldeia. Quantos? Três? Quatro? O meu Pai já seria dono do velho Fiat grenat, de capota de lona e janelas de mica, onde ainda me cheguei a sentar para brincar "ao faz de conta" ,"que sou eu a guiar"? Muito gostaria que me tivessem contado melhor esta história, que apenas recordo por uns "àpartes" ouvidos meio na risota a minha mãe. Só que , na altura, a minha curiosidade sobre o acontecido não igualava a que agora sinto! Paciência. Afinal...sempre estou cá eu...dois filhos...quatro netos...Valeu a pena!

publicado por mfssantos às 19:18

01
Nov 10

No Outono os dias decrescem e, com a entrada da "hora de Inverno", que atrasa os relógios sessenta minutos, as aulas da tarde acabam ao lusco-fusco, as luzes da cidade a começarem a acender.

Descia a esdadaria de pedra da Escola, quando uma toada que, ao princípio, não consegui identificar, me chegou aos ouvidos. Prestei atenção e as palavras surgiram aos poucos,  vindas lá do fundo da minha infância:

 

                                                                      Bolinhinhos, bolinhós

                                                                      para mim e para vós,

                                                                      para dar aos finados....etc.

 

Era assim que se cantava na minha aldeia na véspera do Dia de Finados.Grupos de crianças iam de porta em porta cantar para "rezarem pelas almas". Daí que, nalguns sítios, se chame aos ditos bolinhos " pão de Deus". Quem os recebia ,rezava pelos mortos de quem dava. Na casa da minha Madrinha, faziam-se broínhas de mel que, juntamente com nozes e castanhas, iriam encher as sacolas da criançada.

 

Já estudante em Coimbra, ouvi ainda algumas vezes cantar esta melodia. Surpresa! Ele há coincidências que nos deixam sem palavras:aquela voz, ali ao fundo das escadas da Escola, calou-se subitamente para logo saudar "Boa noite , Doutora! Lembra-se de mim?Viva a Académica!". Sentado na soleira, ao lado a muleta que lhe facilitava o andar de deficiente, estava um homem dos seus quarenta anos, envelhecido, mas o mesmo rosto, a mesma voz que, em Coimbra, nessa época ainda acompanhado pela mãe, vinha regularmente à minha porta por um prato de sopa! Explicaram-me mais tarde que viera com os jogadores de futebol para um jogo qualquer...e resolvera ficar.

 Uma época da vida muito preenchida na altura não me permitiu aprofundar a história , o destino deste conterrâneo que, na sua pobreza infeliz, encontrava ainda forças para cantar, para saudar quem passava, para procurar locais onde "os estudantes. " e as "capas e batinas" lhe fizessem recordar a sua cidade. Sei que , ao ler este texto, muitos dos que passaram por Coimbra entre 55 e 65 se irão recordar desta figura, que sempre andou por perto da Academia.

A vida tem coisas...!

publicado por mfssantos às 20:37

Novembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO