"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

24
Out 10

Há cinquenta anos, o Sud-Express levava Europa fóra jovens estudantes universitários/as  ávidos/as de alargar fronteiras, de conhecer mundo.

O alvoroço começava ao entrar em França: em Hendaye já se podia beber Coca-Cola! Co-ca-Co-la! Em Portugal...era proibida, entre muitas outras coisas. Após um dia e duas noites de viagem, chegava-se a Paris pela meia noite. E não era um espanto. Ao contrário: a gare negra e mal iluminada de Austerlitz negava o título de "cidade das luzes", que os dias seguintes haveriam de confirmar, noentanto.

O deslumbramento haveria de se prolongar à vista das largas avenidas, da  arquitectura, dos museus, de parques, jardins...lagos e canais. Na Holanda, as novidades, a novidade foi, para os que iam de um Portugal fechado e provinciano, os grandes Shopping-Centres, repletos de toda a espécie de artigos comerciáveis, incluindo os Super de bens alimentares. Uma permanência mais longa permitiu-nos observar , ao fim de semana, famílias inteiras, de carro ou de bicicleta, rumando a estes locais. O clima pedia o aconchego de um tecto, mas a vastidão dos espaços e uma planificação bem pensada permitiam o lazer, as compras básicas, um ringue de patinagem ou um playground para as crianças, ou um cinema ou café-concerto para os adultos. O dia terminava no self-service ao dispor, ou nas máquinas automáticas (novidade!) que forneciam "croqueties", quentes e cremosos, bebidas leves e gelados , por preços aceitáveis. Era o convívio e descanso semanal das famílias trabalhadoras.

E então os que trabalhavam para que outros fossem servidos...? Problema resolvido: folgariam à segunda , até às quatro da tarde.Ponto. Problema resolvido.

 

Ocorreu-me esta associação de ideias no dia em que foi noticiada a autorização dada às grandes superfícies do país de, se assim o entenderem, laborar aos domingos. Compensações...?

publicado por mfssantos às 21:47

16
Out 10

Foi a musa de Camões. Amor proibido , a última filha  do rei D. Manuel I não poderida entregar seu coração a um bardo desconhecido, ousado mas sem pergaminhos, que haveria de buscar fortuna em terras do oriente, na contenda perdendo um olho...decididamente D. Maria estava destinada a outros vôos...independentemente do que lhe dizia o coração.

 

       Pois foi  esta Infanta que deu o nome à escola que me acolheu depois da mortre de meu Pai. Aliás, sempre lá estive matriculada como aluna do ensino doméstico...forma de poder acompanhar as suas deambulações , em serviço pelo país. Ali frequentei 6º e 7º anos, com bom aproveitamento.Já nesse tempo era uma escola de elite. Tudo mulheres...da Reitora à porteira, a senhora Pureza, bengala na mão e ar "façanhudo", metendo "na ordem" quem se atrevesse a passar a portaria que não às horas de autocarro...Sim, porque, ao tempo, a zona era um olival deserto, atravessado por carreiros por onde as "meninas bonitas" não deviam aventurar-se...Bons tempos, de procura e crescimento, de descoberta e espanto,de entrega a sonhos, projectos e amizades, essas que ainda perduram. E saudade de grandes mestres, pese embora a recordação da austeridade, da exigência...abençoada exigência que nos guiava à excelência...D.Isabel Mota, D.Virgínia Gersão, D. Laura Palhinha... quanta gratidão por nos terem aberto portas!

 

     É com algum sentimento de orgulho que vejo repertir-se a avaliação das escolas portuguesas com a Infanta D. Maria, de Coimbra, à cabeça.

Eu sei que estas avaliações não serão modelo de perfeição, sei que haveria parâmetros diferentes a poder ser considerados...enfim, isto vale o que vale...mas é o que foi concluído superiormente. Não posso deixar de me regozijar e lembrar o tempo ali vivido em 54 e 55 com saudade.  

publicado por mfssantos às 11:36

13
Out 10

Finalmente! Esta madrugada começaram a ser resgatados do fundo da mina - 700 metros de profundidade - os mineiros chilenos presos por uma derrocada desde o início de Agosto, mais de dois meses! Quanta coragem terá sido necessária para resistir! E quanta confiança nos seus companheiros e no seu país!

Não há palavras para descrever a emoção resultante desta acção de salvamento. Porém , há palavras para constatar e elogiar o empenho, a capacidade de organização, a escolha de meios, técnicos e humanos, toda a solidariedade, postos ao serviço desta causa.

O Chile, capital Santiago, um país em faxa bordejante de um continente, debruçado sobre o Pacífico, um país da América Latina (o "Terceiro Mundo", dizem alguns... )levou a bom termo um empreendimento, à partida, sujeito a tantas dúvidas. O mundo esteve suspenso desta acção, ajudou, se pôde, e congratula-se com a fé, a confiança, a capacidade de decidir e implementar as medidas adequadas, de um povo que deu testemunho do que pode a força da união e da solidariedade, quando o perigo se instala e ameaça a nossa vida.

E que viva o Chile! 

publicado por mfssantos às 16:43

12
Out 10

Foi um fim de semana diferente: nove rapazes e duas raparigas a participar na "Avalanche"! Não sabem o que é? Não, não se trata de neve! É só uma metáfora...E a Serra da Lousã...conhecem? Não?! É pena, pois é uma beleza.

 

A Avalanche é um acontecimento desportivo - infelizmente, os noticiários estão demasiado ocupados com o futebol para "descerem" à terra, melhor para acompanharem a descida de uns 500 ou 600 praticantes de BTT, desde o alto do Trevim, 1200 metros de altitude, até à garbosa Vila da Lousã.Uma hora a percorrer trilhos marcados, desta vez "enriquecidos" pela lama das chuvadas, e sublinhados por ventos com rajadas de 120 km/hora! É de loucos, não?...Mas eles não acham. Penso até que as dificuldades animam a prova...Quanta adrenalina! Que emoção! Quanta responsabilidade, digo eu, já entrada em anos para a aventura, coração aliviado por ter de novo nos meus braços uma neta de doze e um neto que ainda não fez dez...Estafados, enlameados, mas felizes! Abençoado Pai, que os estimula e acompanha, assumindo riscos, trazendo amiguinhos, todos unidos no respeito pelo espírito de grupo, em sã camaradagem. Não é bonito de ver? E a minha neta até foi ao Podium! E trouxe "um troféu"!

 

 

Acabada a "função", regressados todos a suas casas, a minha casa,ponto de apoio na empreitada... estava virada do avesso! Pequeno almoço, jantares, banhos...toalhas , talheres, copos...era uma confusão! tratei das arrumações e , a dada altura, dei comigo a comparar-me ao Tio Patinhas! Ele contava moedas, não era? Pois eu...contei talheres!Do serviço a uso diário, do outro da minha casa de estudante noutros tempos, do outro exemplar, mais completo, produto actual das Caldas das Taipas...tudo tinha vindo à baila...e a máquina não faz separações! Em vez de "remediar"...esvaziei gavetas e armários e aproveitei para pôr tudo "como manda a lei"! E contei, como o Tio Patinhas,não tivesse o lixo levado algum exemplar...Deu tudo certo, afinal.

 

Foi um fim de semana para recordar.

publicado por mfssantos às 09:23

10
Out 10

 

Todos têm o seu ritmo biológico - o que quer que isto possa significar.

Por mim, considero-me "das manhãs", mera convicção, sem fundamentação científica. Só que é de manhã que "funciono" - quem sabe, por mero hábito, criado por quase quatro dezenas de anos a servir pontualmente uma profissão...

E a vida decorre a bom ritmo...

 

Entrando Outubro, de regresso à cidade, sem os atractivos do jardim, das mondas e das regas, com o sol a fugir bem cedo...as noites ficam mais longas, bem mais longas...

Despachados os últimos afazeres do dia, é a "caixa mágica", colorida e movimentada, que ajuda a preencher o serão. Na cidade há Cabo, satélite, Meo, Zon e quejandas alternativas , de que a casa na aldeia não dispõe...Aqui, vejo as notícias a todas as horas e em todos os canais...até parece que têm sido muito boas notícias...Bem ao contrário...Mas a curiosidade, por um lado, e a vontade/necessidade de estabelecer comparações, ouvir comentários...leva-me a insistir...e continuo a ver  e ouvir, os optimistas e os pessimistas,os pro e os contra,os derrotistas, cuja sabedoria será inquestionável, mas se torna agressivamente insuportável e desesperante,pois não propõe soluções...ouço tudo e todos. E fico a "resmoer"...

 

A perfeição não existe, digo cá para mim.Quem se julga infalível, "o melhor do mundo"...não deve estar bom da cabeça. Todos temos falhas, defeitos, incapacidades. E, ao tomar decisões, é difícil agradar a Gregos e Troianos, na vida privada e em sociedade. Feita a escolha, fundamentada,claro, é preciso ter a força interior de cumprir, de aceitar riscos e consequências - e não passasr a vida a minimizar os outros, magoando, agredindo com gestos e palavras, fomentando a descrença e a revolta...Ai,quão difícil é navegar em mar revolto!

 

Na comodidade do meu cadeirão, no conforto do "meu canto", clamo por tolerância, gentileza, disponibilidade, esperança numa vida menos atormentada... e penso nos que, noite e dia,  a favor ou contra o seu ritmo biológico, se afadigam a servir...a família, os amigos, a profissão, a sociedade...o país!

Palavras chave, do momento e da Vida: integridade, honestidade, perseverança!Qualquer que seja o ritmo biológico.

publicado por mfssantos às 16:22

 

 

   O ar passa entre a folhagem,

   assobia.

   O sol espreita, contraria

   as nuvens vagabundas

   que ameaçam.

 

   É o vendaval de Outono

   varrendo as cabeleiras

   (que já foram verdes)

   dos muros quase nús

   do meu quintal.

 

   No sino batem as Trindades.

   Três vezes ao dia

   louvam a Mulher, Maria.

 

   Vida rural.

 

 

 

publicado por mfssantos às 10:57

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