"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

26
Set 10

A Música, mais uma vez, junta uns tantos, entusiastas uns mais que outros,mas, mesmo assim, o suficiente para marcarem um encontro na Casa da Música, no Porto. Programa: canções, francesas, espaholas e portuguesas. O coro da casa em grande forma.Uma hora de comunhão de interesses.Adultos e crianças no mesmo silêncio atento e participativo. E as palmas, sinal de apreço, reconhecimento de um trabalho feito com profissionalismo e amor.

Bela ideia esta dos concertos do meio dia, ao domingo!

E que viva a Música!

publicado por mfssantos às 23:27

23
Set 10

E ele aí está, o Outono: céu cinza, neblinas matinais, mais quente pelo meio dia e...chuva ou chuvisco quando calha. Este é o tempo em que nunca sei o que vestir. Não que eu seja esquisita com roupas. Mas...saindo do clássico...já me sinto "embonecada" a mais. Com estas variações de sol-chuva, mais quente, mais fresco...é- me difícil atinar, logo de manhã, com o "trapo" certo. Problema...Isto para já não falar de quando é mesmo necessário "renovar o guarda roupa".

Para além dos custos, mais ou menos proibitvos de acordo com qualidade, marcas...etc., as medidas são, as mais das vezes, um problema. Como a maioria das Portuguesas, não sou alta; e esguia já fui(!...)  noutros tempos, há muito tempo...Por isso, quase sempre o que está bem na largura...exigia mais um bom palmo em altura. E as modas e os manequins favorecem "as cruzetas"...Quem "aguentaria" a sobreposição de duas ou três peças e respectivas mangas? Franzidos, fralda fóra  ou umbigo à mostra..., folharecos e rendas...lantejoulas e pedrarias...mini saia ...nah, não fazem o meu género nem se coadunam com a vida que levo. Esta coisa da Moda, das modas...não me convence. Talvez pareça eu "convencida" dizendo que andar à moda é vestir algo confortável, adequado às horas, aos lugares,à actividade de cada um , à sua figura física, à sua idade...tudo para se não assemelhar a uma árvore enfeitada para o Natal!

Cada estação exige a vestimenta adequada.Mas o Outono e a Primavera...não se decidem; por isso, às vezes nos vestimos demais, outras vezes de menos, temos ora calor ,ora sentimos a fresca em demasia...Há que irmanar os trapos , não só aos tempos , mas também...ao tempo que faz.Ou então...aguentar, quando se não acerta!

O Outono traz, porém, muita coisa boa!  Que me dizem a um magusto...?

publicado por mfssantos às 16:34

17
Set 10

Nas férias li pouco. Dentre os livros à mão, um com um título comprido "Mazagão a cidade que atravessou o Atlântico" , de Laurent Vidal - autor para mim totalmente desconhecido - despertou a minha curiosidade. Ao fim da tarde, na varanda, a minha "sombra" por companhia,instalava-me para descansar. E fui folheando...e lendo. No segundo ou terceiro dia, já tinha um lápis na mão, punha setas, sublinhava...É que a  informação era curiosísima.

Para além do relato histórico, dando conta da fundação desta cidadela no norte de África  em 1514 e da sua "transplantação" para a Amazónia, no Brasil, em 1769, deliciei-me  com pormenores dando conta de quantas serras, quantos martelos, quantas variadíssimas alfaias agícolas...quantos homens, quantas mulheres, quantas crianças...quantos escravos/as, quantas janelas nesta ou naquela casa... tudo informação que nos leva a imaginar como era viver naqueles tempos, quanta coragem, quanto sofrimento...quanto espírito de aventura também terão sido precisos para vencer!

Políticas do Senhor Marquês de Pombal e força da boa cepa portuguesa, dando novos mundos ao mundo.

publicado por mfssantos às 20:56

12
Set 10

Parecem cabeleiras verdes

pendentes dos muros do jardim.

Ainda é verão.

Em Setembro, já não é bem assim...

De caules fortes, majestosos,

erguem-se copos rosa de vidro qualhado,

perfumados.

São as beladonas na sua pujança

neste ciclo de vida, em mudança.

 

 

Vento Leste, vento Sul,

vento suão tresloucado,

trazes chuva para o nabal

retiras o grão do eirado.

 

Uvas, marmelos, kiwis,

tudo pronto para a colheita...

O Outono está chegando

O Inverno está à espreita

 

Os dias são já mais curtos,

A luz fenece discreta

E a candeia da  vida,

teimosamente liberta,

ilumina o entardecer,

lá vai ficando desperta

enquanto a Deus aprouver.

publicado por mfssantos às 10:48

Impossível é não assinalar a data,não sentir horror ao  rever imagens, não lamentar a perda de vidas inocentes... Quanta maldade, quanta ignorância, quanto fanatismo...Como foi possível?! É este o mundo moderno, o século XXI, o tempo das descobertas científicas e tecnológicas?

E a alma, o coração, o respeito mútuo...onde estão? 

publicado por mfssantos às 00:14

11
Set 10

Em Agosto...o país foi de férias: impossível fazer obras, começar ou acabar qualquer coisa...Como passatempo, os que não fizeram praia...tiveram a tv por companhia. Mas que pobreza de programação, em especial para os que não têm cabo! A coincidência de programas do mesmo tipo ,em três canais e no mesmo horário, revelam uma falta de imaginação e criatividade  inconcebíveis, como se o povo português fosse um grupo de ignorantes iletrados e incapazes de "crescer" relativamente a exigências de qualidade.

 

Acabada a "silly season", cá estamos de novo no ram-ram...Vejo agora que nos esperam, após a "rentrée", os  "Ídolos" e a "Operação Triunfo"!

Será que os dois canais promotores vão fazer coincidir o horário destes dois programas populares?!

"Era o que mais faltava!", digo eu, escandalizada, para os meus botões.

 

Veremos até que ponto a "silly season" ( e as silly gentes...) se eternizam entre nós!

publicado por mfssantos às 09:53

06
Set 10

Neste regresso às aulas, a profusão de materiais escolares anunciados em Tv, nas montras e na publicidade das grandes superfícies traz-me à memória uma lousa e o respectivo lápis, às vezes partido já em dois; um livro, um caderno de linhas, outro quadriculado; um lápis número dois, borracha e régua e, mais aliciante que tudo, uma caixinha de seis, sim, apenas seis, lápis de côr,marca Viarco; talvez uma saca em serapilheira com uma grande alsa, para poder ser usada a tiracolo e deixar as mãos livres...Dificilmente se encontraria algo mais sofisticado na sacola de uma criança.Nem sequer uma caneta, que essa a escola fornecia e era molhada no tinteirinho da carteira ( quantas borratices, santo Deus!) Este facto não impediu, porém, ninguém de aprender, de crescer, de se preparar para o passo seguinte...

        E hoje?! Tanta fartura, tanta variedade, tanta opção de escolha ( porque o meu colega tem, eu também quero), tanto peso na mochila, tanto desperdício pelo não aproveitamento dos "restos" do ano anterior!

 

        No meio de toda esta abundância, que poderia ser causa de tanta reflexão oportuna, interrogo-me apenas sobre o objectivo do uso do tal caderno "aos quadradinhos". Supostamente, existe para que um algarismo  seja escrito dentro de cada quadrado. Mas já viram as medidas de cada um deles?! Já observaram quanto tempo uma criança demora até ter domínio de mão suficiente para respeitar o limite daquelas linhas azuladas? Certo é que é importante alinhar correctamente os números, para as contas darem certas...Então...que fazer? E se a criança, para além da sua natural inexperiência, tem fraca visão, usa óculos ou lentes...Não seria de aumentar o tamanho dos tais quadrados, de dar ,até, normas para uma medida facilitadora de uma prática que leve a uma melhor aprendizagem...?Ou, em alternativa, por que razão não existirem no mercado diferentes modelos/ medidas de cadernos "aos quadradinhos"?

       É só uma ideia. Sei de quem poderia aproveitar com ela.  

publicado por mfssantos às 15:36

05
Set 10

Ferreira do Zêzere

 

"Não temos ar para respirar"

 

Fogo e fumo arrebatam

Numa tarde de calor e vento

Uma vida, muitas vidas...

Animais, plantas...tudo morto.

Os donos, destroçados, sem ânimo nem alento.

Florestas negras, negrume nas almas

E nas gentes.

 

 

 

 

São Pedro do Sul

 

Serra da Gralheira

Já arde há três dias.

Populações e bombeiros exaustos.

E o calor sufoca, quase quarenta graus.

Na Rússia , já Moscovo se dilui no fumo...

As águas submergiram parte do Paquistão e da Europa central...

 

E a Terra gira, continua a girar.

Polo Norte? Polo Sul?

Um em cima, outro em baixo...

Não terão trocado a posição?

 

Ai, este mundo às avessas!

publicado por mfssantos às 19:21

04
Set 10

Sem computador...não houve registos no passado mês...Mas, na cabeça as ideias surgem, enovelam-se, embaralham-se...querem à força um lugar visível...É este o bichinho, pôr por escrito o que nos atrai, revolta, ou vem à memória.

        O contraste entre a vida num apartamento da cidade e uma "casa de brasileiro" , um casarão, numa aldeia serrana, é enorme, saudável, gratificante em quase tudo, maugrado a "trabalheira"... Os primeiros dias são para arejar, espanejar, reencontrar o sítio das coisas...Logo depois chega a família, que traz amigos. E o "casarão" já não chega , é pequeno, enche-se de vida e reboliço, que a nossa cadela acompanha em algazarra e correrias - o que não admira, pois  o resto do ano é solitário. E logo estão de partida para outra aventura, deixando a casa ,de novo,em silêncio.

 

        Esta casa "fez-se" com a participação de muita gente. Dezenas de anos antes de mim, não tenho ideia como foi planeada, construída, mobilada, "inaugurada". Sei que reunia a família, que era numerosa,como provam a mesa "de esticar" pela  possibilidade de inserção de várias tábuas,as enormes toalhas gastas pelo uso, os muitos talheres, restos de serviços de louça de Limoges e da Vista Alegre, copos de pé alto...E mais de uma dúzia de cadeiras de palhinha.

       Temporadas da minha infância ali vividas obrigam-me a comparações com "estes tempos". Recordo não apenas a família, mas também os que a serviam: o criado da lavoura, a cozinheira, a empregada "de dentro" e, no fim de vida de meu Avô Nicolau, que já não conheci, a miúda que o guiava na sua cegueira. No meu tempo, havia a Clementina, "pau para toda a colher", mulher feita, solteirona,humilde, dedicada,de certa  forma parte da família, pese embora o muito que trabalhava em prol dela.

 

       Pelas seis da manhã já estava a pé. Vestia a roupa de trabalho e fazia o seu "mata-bicho": broa e café, isto é, cevada - que o café faz mal aos nervos...De seguida, "matabichavam" os bichos: o grande boi dourado de olhos meigos, as duas cabras , que forneciam o leite necessário, os porcos e as ninhadas - quando as havia - patos e aves de capoeira...tudo era "tratado".

Pelas sete e meia, substituído o aventalão de riscado escuro por outro, lavado, geralmente branco, atarefava-se na cozinha a preparar o pequeno almoço dos "senhores": fervia o leite em fogo de lenha, torrava o pão da véspera, preparava o tabuleiro e, pelas oito e tal, batia à porta, dava os bons dias, abria as janelas...servia...e "recebia as ordens" para o dia...Ram-ram desnecessário, ao fim de quase trinta anos, uma mala de roupa e um enxoval, uns tostões ciosamente poupados ao longo de uma vida de trabalho...

Um dia, um irmão distante aparece com um "convite" para ir para Lisboa...Irresistível!

Tive mágoa de saber que acabou só, na sua casita de aldeia, bem longe da cidade grande.Fica a memória da partilha da sua sopa de feijão vermelho ao pequeno almoço ( em vez do leite que o estômago rejeitava)  e das partidas de Carnaval que lhe pregava e que os meus oito anos inocentes levavam a cabo com a complacência de todos... incluindo a própria.  Obrigada, Clementina.

 

      Nestes tempos, não há pessoal permanente. Também não há bichos nem terras lavradas. Apenas a fiel guarda da casa, que ladra avisando que está alerta, e as silvas que invadem a terra que produziu milho, azeite, legumes e fruta para os da casa e os de fóra...É com alguma angústia que, todos os anos, me confronto com esta realidade. Dentro de casa, faço de tudo um pouco sem problemas; no jardim, passo o tempo mais aprazível, na esperança de ver brotar os lírios cor de rosa que invadem e perfumam as bordas dos canteiros a partir de fins de Agosto.Aos poucos, a casa vai estando em obras de restauro e conservção - que alívio, quando chegarem ao fim! E ainda tenho um sonho: vou mandar roçar as silvas e plantar árvores. Será que terei tempo para as ver crescer?...  

    

      Férias? Que férias?...

 

publicado por mfssantos às 15:17

Setembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

13
14
15
16
18

19
20
21
22
24
25

27
28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO