"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

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Jul 10

Tomei consciência do valor do vidro aí pelos meus doze anos. Até então, usara copos e garrafas, pratos e pratinhos, jarras, taças...e os vidros da janela, tomando tudo como garantido, normal, inquestionável, taking things for granted, dizem os ingleses.

Mas naquelas férias em Monterreal a termas pela saúde do meu Pai, este aproveitava oportunidades para "abrir portas" ao conhecimento da criança que eu era,visitando o que , nas redondezas,houvesse de interessante. Daquela vez, uma das fábricas de vidros da Marinha Grande, quem sabe, uma das que já se foi...E que pena, se assim for!

É que a arte do vidro, nos termos em que a vi executar, é algo de admirável, a não perder. A minha memória guarda a noção do calor, do esforço, da habilidade daquele trabalhador, bola de fogo na extremidade de um tubo, em que soprava com valentia, tanto quanto lhe permitiam os seus pulmões, rodando, rodando sempre, até obter a cavidade da vasilha que viria a ser um galheteiro. De repente,afastava o tubo, pegava na tenaz e puxava o que viria a ser um gargalo, com um toque rápido enformando a curva do bico, que havia de derramar ouro sobre as saladas de verão.

Esta imagem ficou e perdura, tal como outra ligada à produção em série de vasilhame para engarrafamento, que presenciei durante uma visita a uma fábrica na região de Jonzac, em França,onde o conhaque e os bons vinhos são a riqueza da zona. Aquela operária sentada à frente de um rodísio, olhos postos nas garrafas em desfile, pronta a excluir alguma com defeito visível...também não sumiu no decorrer do tempo!

 

Esta coisa do vidro, a admiração pelos seus manuseadores, revolveu-se-me na mente em presença dos estilhaços de garrafas com que me deparei hoje, logo de manhã, num passeio perto de casa. Restos de abusos de sábado à noite?...À noite?...Pois se até de dia a displicência com que um jovem se passeia (se "pavoneia"?) pela rua, com duas amigas - todos juntos, pouco mais de três dúzias de anos de idade...- , com duas amigas, repito, garrafa de cerveja na mão..."Queres?""Não", foi a resposta, felizmente, digo eu,esta displicência, este avontade, deixam-me em choque, angustiada.

 

"No meu tempo" - como é estranha esta expressão! - uma rapariga não fumava na rua, era considerado falta de maneiras, talvez um tanto ordinário. Beber? Beber duma garrafa, a andar, ou parada à frente dum bar...não passava pela cabeça de ninguém. Aliás, as raparigas mal tocavam em bebidas alcoólicas; e, quando o faziam, era geralmente com péssimos resultados...com vontade de não repetir. Pois hoje...parece que está na moda! Beber até tombar é "cool", é só para "animar", "divertimento" de fim de semana, coroado com o escacar de vasilhame!.Elas e eles.

 

Céus! Quanta falta de imaginação! Que péssimo uso do vidro, o tal que espantou os meus olhos de menina e foi valorizado pela mulher adulta, ela também trabalhadora, se bem que noutro "ramo". Porém, verdadeiramente aterrador é o uso do álcool pelos nossos jovens. É que é preciso não esquecer : o álcool também é uma droga. Há usos e...usos.

publicado por mfssantos às 17:03

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