"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

30
Jul 10

Morreu António Feio. Os palcos ficaram mais pobres e nós vamos encontrar menos oportunidades de rir com gosto.Mas fica o exemplo de um Homem que. até ao fim, procurou transmitir alegria, bondade,força na luta por ideais,na sublimação do sofrimento. Sem "Conversa da Treta".

publicado por mfssantos às 22:25

27
Jul 10

Do Latim "complere", significa, segundo o dicionário, "desempenhar, levar a cabo, satisfazer", entre outras coisas.

Pois parece que, hoje em dia (ou terá sido sempre,e eu não dei conta?...) ninguém cumpre nada ! Será possível?!

 

Faz-se uma encomenda, "Está cá para a semana". Vai-se buscar na data aprazada "Ai, ainda não chegou. Talvez..." Nem "Desculpe o incómodo".Nada. Na melhor das hipóteses...da próxima vez...

Entrega-se qualquer objecto para reparação. "Quando posso vir buscar?" "Amanhã já está pronto"...Só que este"amanhã" é o amanhã de muitos dias depois!

Estabelece-se um contrato, a cumprir "até o fim do mês", dá-se um sinal de 40%, o princípio do mês seguinte já lá vai...nada!!!

 

Com todo o respeito pelas profissões e por aqueles que as honram...como é triste verificar que, na construção civil ou no comércio, nas pequenas ou grandes reparações, quase ninguém cumpre prazos, responde à palavra dada, se envergonha por não a respeitar! Quem terá consciência de que falhou, que terá prejudicado o outro, os outros...?

 

Fico triste. Dizem que, no estrangeiro, o operário Português é dos mais considerados , devido ao seu desempenho. Então , onde o motivo para tantas falhas no seu próprio país? Será porque o "freguês" é diferente? ou a "paga"...?ou será mera irresponsabilidade...ou ignorância que não permite avaliar adequadamente...ou "patrão" complacente, ele também a raiar os limites da incompetência?!

Fico triste. Por me sentir prejudicada. Porque, "assim"...é que nunca vamos passar da "cepa torta", damos a quem nos quer mal motivos para "desconfiarem" de nós...Estou triste, pronto.

publicado por mfssantos às 11:22

26
Jul 10

Chegaram e sentaram-se à minha frente, a criança de seis, sete anos, o adulto nos trinta. Penso que estavam pela cerimónia que decorria e que foram acompanhando - um baptizado.

Sentado, o menino brincava com o brinquedo minúsculo que tinha na mão. Às tantas, à procura de comodidade, cruzou a perna. Vi o adulto baixar-se, dizer-lhe algo baixinho, que fez a criança voltar à posição inicial. A cena repetiu-se três ou quatro vezes ... No final, à saída,vi o pai - só poderia ser o pai, o educador - curvar-se sobre a criança, falar, explicando. Não ouvi o que disse, imagino. Ainda há quem procure incutir nos mais pequenos regras de um comportamento adequado - aos locais, às pessoas presentes, às ocasiões...

 

                   Dar a direita às pessoas merecedoras de maior consideração...

                   Descer do passeio para deixar passar os mais velhos...

                   Tirar o chapéu/o boné ao entrar dentro de casa,

                   ou para cumprimentar...

                   Oferecer ajuda para transportar sacos das compras... 

                   Bater à porta entes de entrar...

                   Pedir licença, agradecer, pedir por favor...

 

No meu tempo - lá estou eu outra vez, é velhice, pois - não se ia para a escola sem meias, não se entrava, quer na escola quer na igreja, de mangas arregaçadas, ou de vestido sem mangas...não se ouvia rádio nem se ia ao cinema , se se estava de luto...- eu sei lá, coisas sem jeito. Mas outras , como a que acima referi, nunca passarão "de moda".

 

Por isso me chamou a atenção o  desvelo daquele pai, " corrigindo" o seu filho criança. Abençoados pais que não se esquecem de ser Educadores.

publicado por mfssantos às 16:44

20
Jul 10

As férias aí estão, pelo menos para alguns. E,destes, só uns poucos "irão para fora".

 

Mas "para quê viajar"? Já assim perguntava Eça de Queirós numa carta de 1885 ao Conde de Arnoso. Viaja-se "para ver o que há de interessante no mundo. Ora no mundo só há de interressante, verdadeiramente, o Homem e a Vida. Mas para gozar da vida de uma sociedade é necessário fazer parte dela e ser um actor no seu drama" (...) Andar por fora que melancolia, que desconsolação, quando estar por dentro é que é o interessante!"

 

Penso entender o que Eça queria dizer. É que, entre visitar um local como turista, mapa na mão, à procura de itens comercialmente recomendados, e ter contacto com os mesmos espaços pela mão de um "indígena", especialmente se ele for um apaixonado da sua terra...é um caso bem diferente!

Se assim penso, é porque me será impossível esquecer a minha primeira visita ao Alentejo, pela mão de um amigo, que deu a conhecer não apenas as pedras, as paisagens, os monumentos...mas também as gentes, as suas casas, os sabores carecterísticos da sua alimentação.

Ser recebido e guiado por uma família da Escócia ou do país de Gales informa mais sobre um povo do que todos os guias turísticos encartados, eles que me desculpem.

Passar um mês , "em comunhão de vida" com uma família holandesa, orgulhosa da sua história e da sua arte, disponível para guiar e comentar , abrir fronteiras, acender luzes...enriquecer o espírito de um adolescente, tábua rasa à espera de um texto de beleza...ah, isso é deveras inesquecível, por mais anos que se vençam...

 

Como Eça, passe o "pretenciosismo", não basta ver "só a Vida por fora".É preciso "ser um actor no seu drama".

 

 

publicado por mfssantos às 09:57

18
Jul 10

A tv deu, com alguma relevância, a notícia de uma celebração religiosa nas areias duma praia de Espinho. "Se Maomé não vai à montanha..."

O facto parece ter tido aceitação, em jovens e menos jovens. Com a presença duma cruz, imagem de Cristo pintada na madeira, à semelhança do que é usual em Taizé, quero crer que também o espírito de acolhimento na simplicidade desta comunidade motivou esta reunião de crentes numa zona balnear.Mas não constituiu novidade para mim.

 

Na Figueira da Foz, no forte que as marés e os planos urbanísticos retiraram do seu varandim/mirante sobre a entrada de barcos no porto, nesse forte, ao ar livre, tinha lugar a missa do meio-dia, ao domingo, apinhada de fiéis, uns em seus atavios domingueiros, outros conforme chegavam da praia, em chinelos e calções, mas todos igualmente respeitosos e participativos na cerimónia. Segundo julgo saber, este hábito foi quebrado, o que lamento. Deus está em todo o lado. "Onde se juntem dois ou três em meu nome..."

Na mesma linha de pensamento, recordo aquela vez em Hyde Park, Londres, onde numa noite de sábado, com uma chuvinha miúda, um grupo rezava o terço de joelhos...Outra vez, na Universidade de  Sterling, na Escócia, localizada a uns oito quilómetros da cidade, uma salinha das instalações universitárias acolhia os cristãos de várias origens que quisessem celebrar o domingo. Eram alunos dos cursos de Verão, que um pastor recebia e saudava, acompanhado da esposa. Todos se apresentavam e, feitas as leituras bíblicas, rezavam de mãos dadas o Pai-Nosso. Mais recente, recordo o local de recolhimento que foi presente na Expo, onde qualquer um poderia parar  uns minutos e deixar a paz do silêncio fazer-se sentir.

Quantos mais exemplos haverá por aí? Por isso, compreendo e não me espanto com a notícia sobre os acontecimentos na praia de Espinho.

Deus - o dos Cristãos, o dos Judeus, o dos Muçulmanos... ,o único - Deus está presente em todo o lado . Bonito é observar a capacidade de o louvar. 

publicado por mfssantos às 16:00

15
Jul 10

Frequentar livrarias é um hábito bom. Mesmo quando se não compra nenhum livro.

 

Há dias, numa dessas tais, ao folhear um livro do polaco Zygmunt Bauman, encontrei uma reflexão sobre telemóveis que veio ao encontro  de preocupações recentes:por que razão usar o telemóvel à esquerda? ou não o usar quando a carregar?etc... Mas Bauman vai mais longe,faz-nos reflectir sobre as consequências sociais do uso deste "bichinho" que já ninguém dispensa, gentes dos negócios com vantagens , de certeza; famílias, para alguma tranquilidade nos contactos rápidos; jovens...nem é bom falar...vivem "dependurados" no telemóvel, convencidos que "é de borla", esquecendo que nada é grátis, alguém estará a pagar por eles...acho que até dormem com ele debaixo da travesseira...E falam, falam, onde calha,com ouvintes por perto, escutando coisa inimagináveis..., recebendo e enviando mensagens "por dá cá aquela palha"...e, muito pior que tudo isto, indiferentes ao "outro", que está presente ,mas é como se fosse invisível...É aqui que se pergunta: estamos mais contactáveis ou...mais isolados? Em termos de relacionamento social, as coisas melhoraram ou pioraram? Eles, os telemóveis, aproximam...ou afastam?Interagem, ou isolam? Penso que é aceitável concluir que todos ficamos pior, uns porque ninguém lhes presta atenção; outros porque, de tão absorvidos pelos seus múltiplos contactos, se afastam da realidade envolvente, vivendo num mundo "de faz de conta" que acabará por desabar sobre eles...

 

O que é, sem dúvida, um privilégio da nossa era em situações especiais, tornou-se numa "praga" nas mãos erradas, neste uso e abuso constante, maléfico, egoísta, para já não mencionar, porque aqui não teria cabimento,um possível uso criminoso de um exemplo da evolução da ciência, aplicada ao bem estar colectivo.

 

O que faz falta? Não é "avisar a malta"! É preciso, como em tantas outras coisas, bom senso!

Alguém se lembra daquela personagem de novela brasileira, das mais antigas, quando elas eram ainda novidade,raridade, excepção, que vivia dependente do seu "celular"? Muito se riu Portugal na época...Pois é no ridículo que estamos a cair...por falta de algum descernimento...digo eu, que não sou ninguém, e só escrevo para não ficar a falar sozinha!

 

publicado por mfssantos às 10:14

11
Jul 10

Tomei consciência do valor do vidro aí pelos meus doze anos. Até então, usara copos e garrafas, pratos e pratinhos, jarras, taças...e os vidros da janela, tomando tudo como garantido, normal, inquestionável, taking things for granted, dizem os ingleses.

Mas naquelas férias em Monterreal a termas pela saúde do meu Pai, este aproveitava oportunidades para "abrir portas" ao conhecimento da criança que eu era,visitando o que , nas redondezas,houvesse de interessante. Daquela vez, uma das fábricas de vidros da Marinha Grande, quem sabe, uma das que já se foi...E que pena, se assim for!

É que a arte do vidro, nos termos em que a vi executar, é algo de admirável, a não perder. A minha memória guarda a noção do calor, do esforço, da habilidade daquele trabalhador, bola de fogo na extremidade de um tubo, em que soprava com valentia, tanto quanto lhe permitiam os seus pulmões, rodando, rodando sempre, até obter a cavidade da vasilha que viria a ser um galheteiro. De repente,afastava o tubo, pegava na tenaz e puxava o que viria a ser um gargalo, com um toque rápido enformando a curva do bico, que havia de derramar ouro sobre as saladas de verão.

Esta imagem ficou e perdura, tal como outra ligada à produção em série de vasilhame para engarrafamento, que presenciei durante uma visita a uma fábrica na região de Jonzac, em França,onde o conhaque e os bons vinhos são a riqueza da zona. Aquela operária sentada à frente de um rodísio, olhos postos nas garrafas em desfile, pronta a excluir alguma com defeito visível...também não sumiu no decorrer do tempo!

 

Esta coisa do vidro, a admiração pelos seus manuseadores, revolveu-se-me na mente em presença dos estilhaços de garrafas com que me deparei hoje, logo de manhã, num passeio perto de casa. Restos de abusos de sábado à noite?...À noite?...Pois se até de dia a displicência com que um jovem se passeia (se "pavoneia"?) pela rua, com duas amigas - todos juntos, pouco mais de três dúzias de anos de idade...- , com duas amigas, repito, garrafa de cerveja na mão..."Queres?""Não", foi a resposta, felizmente, digo eu,esta displicência, este avontade, deixam-me em choque, angustiada.

 

"No meu tempo" - como é estranha esta expressão! - uma rapariga não fumava na rua, era considerado falta de maneiras, talvez um tanto ordinário. Beber? Beber duma garrafa, a andar, ou parada à frente dum bar...não passava pela cabeça de ninguém. Aliás, as raparigas mal tocavam em bebidas alcoólicas; e, quando o faziam, era geralmente com péssimos resultados...com vontade de não repetir. Pois hoje...parece que está na moda! Beber até tombar é "cool", é só para "animar", "divertimento" de fim de semana, coroado com o escacar de vasilhame!.Elas e eles.

 

Céus! Quanta falta de imaginação! Que péssimo uso do vidro, o tal que espantou os meus olhos de menina e foi valorizado pela mulher adulta, ela também trabalhadora, se bem que noutro "ramo". Porém, verdadeiramente aterrador é o uso do álcool pelos nossos jovens. É que é preciso não esquecer : o álcool também é uma droga. Há usos e...usos.

publicado por mfssantos às 17:03

10
Jul 10

O calor é muito. Demasiado. Temperaturas acima dos trinta graus...

        A coluna de ar mitiga, em rodopios lentos, o ambiente pesado e refresca a pele peganhenta do suor...

        Habituei-me a imitar os movimentos vagarosos que observei nos alentejanos naquele Verão, sob uns quarenta graus...

 

Na penumbra, sem vivalma por perto,a Tv vai preenchendo o vazio. É uma imagem colorida, que salta e se move, música de fundo ou "conversa fiada" - além das toneladas de anúncios que raramente captam a minha atenção. Com sorte, apanham-se uns filmesitos pelo meio, novidade ou reposição, as histórias repetem-se, com variantes. (Ainda ontem revi "O Gigante", com a belíssima Elizabeth Taylor e um James Dean no fulgor da sua breve carreira.) Às vezes, "passo pelas brasas", "perco o fio à meada"...e "já estou noutra"!

 

Hoje dei comigo a pensar, a relacionar coisas, a pôr-me questões...

Antes da Tv já se contavam histórias.É um hábito ancestral! À volta da fogueira ou gravadas na pedra, registadas na Bíblia ou cultivadas através dos séculos por autores que, por causa delas, ficaram para sempre na história das Literaturas ( lembrar o "Decameron" de Bocaccio,os contos de Perrault, as fábulas de La Fontaine, as histórias dos irmãos Grimm, "Os contos de Cantuária " de Chaucer, de Kipling ,de Poe...de Eça, de Conan Doyle...de Borges..., de Machado de Assis...ui, falta-me o fôlego e a memória...)estas narrativas acabam sempre por obedecer a um esquema, procurado ou não (não sei)de forma consciente, ou então, mero produto de um pensamento organizado,de um raciocínio lógico (não sei). E continuam a cativar ouvintes e leitores.

Dei comigo a tentar perceber e conscencializar como as novas tecnologias lidaram com o tema, como contam os autores de filmes uma boa ,ou menos boa, história, de que forma, mais apelativa ou menos convincente, com que meios, com que recursos...Afinal...todo o conto é idêntico na forma...

Apresenta-se uma situação estável, uma aparente "normalidade", registada como que numa pintura, estática...De repente, forças estranhas e inesperadas, o inimigo, interrompem a paz, o idílio, o bem estar...e perturbam. A situação altera-se, surge o conflito, o desequilíbrio, a desordem...E lá vêm os murros, as armas, as perfídias, as traições, as ameaças, os raptos, numa palavra, a violência em todos os tons, ritmos e andamentos...É preciso um amigo, um auxílio, um regulador, um justiceiro, um polícia...um dos "bons", que reponha a ordem, a paz, o bem estar, a alegria, a felicidade...que descubra o assassino, o ladrão, o facínora, o espião, o traidor...e que, de uma forma inesperada, resolva o mistério, solucione o caso,cure o doente,salve a pátria, o clube, a honra da família...E tudo está bem, quando acaba bem, " acabou-se a história, morreu a vitória"!

Se tiver paciência e não "amadornar" entretanto, hei-de tentar observar em que medida esta minha "teoria" confere, se está presente nas histórias dos filmes que o mercado nos propõe.

publicado por mfssantos às 21:39

08
Jul 10

Como explicar a emoção perante  momentos que não são surpresa, novidade, coisa do outro mundo?! E, noentanto, acontece, sinto-a invadindo o corpo, vejo-a na penugem dos braços, está lá, cada vez que me é dado  ouvir uma peça musical dirigida por um grande maestro. Acontece sem o esperar, e não importa se é um coro, uma filarmónica (como a de Berlim), um tango de Piazola...É boa música, independentemente do género.Gustavo Dudamel é alguém a quem reajo assim. Ainda há dias, num magnífico parque, com enorme anfiteatro debruçado sobre o palco, em Berlim, me emocionei ao ouvir e ver a  execução, quer de clássicos, quer da bela música tradicional argentina, pela Orquestra Filarmónica de Berlim, levada pelo entusiasmo, a alma, a vivacidade, o amor à música deste jovem maestro. Mas não é a idade que o distingue doutros. É a sua expressividade ,que atiça o público e se transmite aos executantes de forma visível. É o des-sacralizar da música, é o vivê-la em conjunto, é gozar a alegria de, na música, não haver distinção de credo, raça, opção clubística....

      É um arrepiozinho bom, momento fabuloso que "limpa" a alma ,nesta sociedade fútil, consumista de mediocridade, de mediocridades, para a qual um exemplo destes ainda nos deixa a esperança de que é possível "abrir" para o bom gosto, para a qualidade...Se eu o digo, eu  que não sei música, que só sou guiada pelo instinto...

 

publicado por mfssantos às 16:19

05
Jul 10

Os jovens andam em grupos...

 

                os adultos...andam aos pares...

 

                        os velhos...encontram-se sós.

 

 

Nota: a ideia não é minha...mas podia ser...  

 

publicado por mfssantos às 17:48

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