"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

18
Jun 10

  Há muito tenho por hábito ler umas páginas antes de adormecer. Dizem que não é grande ideia ler deitado...Provavelmente. E, se o livro pesa ( e o peso pode ser real ou do conteúdo...)não se avança muito, correndo-se até o risco de, no dia seguinte, não recordar grande coisa...Pois naquela noite peguei no livro começado na noite anterior...e não consegui apanhar o fio da meada...Julguei ter-me enganado. É que ,na minha mesa de cabeceira, pode haver dois ou três livros em simultâneo...Mas não era o caso, como acabei por verificar.

A palavra "negrilho" situara-me em Trás-os Montes, onde a ouvira frequentemente, referida às árvores na estrema dos lameiros que se avistavam das janelas de minha casa. A referência aos cães de Cerbère em nada se enquadrava na paisagem da minha infância...As referências ao Guiness, aos carros de polícia, a um dois cavalos..enredavam-se na minha cabeça como novelo embaraçado. "Há que recomeçar", pensei. E assim fiz, desta vez olhos e sentidos bem alerta. Não foi fácil "entrar" no texto, tanto mais que era preciso adivinhar-lhe a pontuação aqui e ali, o que só acontecia quando se pronunciavam as frases em voz alta, como se a reproduzir diálogos...Enfim, apanhado o gosto...a ideia vai-se tornando transparente.

Foi assim que conheci Saramago, o escritor hoje desaparecido. Desaparecido, mas que será lembrado como génio que foi, com uma imaginação prodigiosa, revelando uma cultura infinita, criando regras próprias na comunicação das ideias, num esilo inconfundível que apaixonou leitores de todo o mundo .

 

  Quando, há já alguns anos, visitei familiares no Brasil, quis dar uma lembrança a  um Primo que só na altura conheci.Entrei numa livraria e, em lugar bem visível, ali estava ele, "A Jangada de Pedra", que despertara a minha curiosidade tempos antes. Levei-lho de presente, sabendo embora que a leitura não seria fácil, mesmo para alguém com cultura universitária."Você escolheu um autor bem difícil",comentou minha Prima, sua mulher. Pois é...Mas o autor que escolhera para representar o melhor que Portugal apresentava no momento receberia o Prémio Nobel para

a Literatura muito em breve! Mal julgaria eu...

publicado por mfssantos às 22:56

15
Jun 10

Já não sei quando, apontei num caderninho o poema que transcrevo:

 

Amo devagar os amigos que são tristes

com cinco dedos de cada lado.

Os amigos enlouquecem

e estão sentados,

fechando os olhos,

com os livros atrás a arder

para toda a eternidade.

Não os chamo,

e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.

-Temos um talento doloroso e obscuro

Construímos um lugar de silêncio

De paixão.

 

 

Que acham? Deixa uma certa angústia, mas não deixa de atrair...Por que razão será? Quem serão estes amigos? Aqueles a quem a doença atacou ,marcando um fim de vida afastados dos outros, do mundo...em silêncio...É triste, mas faz-nos pensar em alguns que conhecemos, sempre activos e intervenientes, agora... longe, distantes, indiferentes aos seus elos de juventude...A vida...ai, a vida... 

publicado por mfssantos às 15:02

13
Jun 10

St. António de Lisboa.

Alguns, dizem St. António de Pádua, pois morreu nesta cidade italiana num dia 13 de Junho. Conheceu São Francisco, fez-se monge franciscano.

Como tal o encontramos em Coimbra, onde é venerado na Igreja de St. Cruz ,( a mesma onde se encontra o túmulo do nosso Rei D. Afonso Henriques), e na Igreja dos Olivais, que tem o seu nome.

 

Na minha aldeia também tem honras de altar e vem à rua , em procissão, acompanhando a imagem de São João, o padroeiro, neste mês de Junho festivo,com festa profana  de quermesse, banda de música, ranchos folclóricos e bailarico. Dantes lançavam-se balões de ar quente, que subiam ao céu entre os ahs! das crianças e a curiosidade quanto ao seu trajecto,até  se incendiarem e cairem. O perigo de incêndio, muito real e próximo, dada a mata densa das encostas,acabou com esta tradição. Mas outras se lhe sobrepuseram...com a música da "aparelhegem" montada com alvoroço pela juventude...que traz os sons de que "eles" gostam...eu...nem tanto.

 

Relembro o "responso" que a velha Prima Maria me ensinou, não teria mais de seis anos:

 

                                      St. António pequenino se vestiu e se calçou

                                      seu caminho caminhou...

                                      E o Senhor lhe perguntou: Tu, António, para onde vais?

                                      Eu contigo, Senhor, vou.

                                      Tu comigo não irás. Tu na Terra ficarás,

                                      todas as coisas perdidas, António, tu acharás!   

 

Já o rezei muitas vezes e sempre descobri o que me faltava, algo possível e perdido devido a descuido, claro...Se valesse para outras circunstâncias...não teria descanço  o bom do Santo, doutor da Igreja, professor de teologia, pregador notável...para além de "santo popular".

publicado por mfssantos às 16:40

10
Jun 10

Parece que os títulos estranhos de livros me atraem! Provavelmente, será apenas o acaso...

 

        "Identidades Assassinas" foi-me oferecido há anos. Era o best-seller da altura. Curiosa, li e gostei tanto, que é um dos livros que tenho à mão, em férias, para abrir ao acaso e ir relendo...aqui e ali. O nome do mesmo autor despertou a minha atenção em casa de amigos, que logo disseram "Leve e leia!". E eu aceitei, trouxe o livro, li e já devolvi. Era a história das Cruzadas, narrada do ponto de vista dos Árabes. Pesado, muitos nomes estranhos, datas...mas a visão do outro lado da guerra (que nunca terá um lado bom...), que nos habituámos a olhar pela do dos Cruzados, defensores do Santo Sepulcro. No momento, leio "Leão, o Africano",mais uma vez a visão  "do outro lado", transmitida por meio de histórias , talvez verdadeiras, talvez romanceadas, atraentes e fáceis de seguir e apreciar. Fazem-me lembrar um outro livro sobre o mesmo tema, " O Calendário de Córdova",  cuja leitura me agradou muito, há já anos.

        É interessante contrapor à usual visão cristã europeia da História e do Mundo o ponto de vista de um autor nascido no Líbano em 1949, jornalista em França desde 1976, agraciado já com vários prémios literários,e prestes a receber das mãos do Rei de Espanha o reconhecido galardão "Prémio Príncipe das Astúrias".

 

        Pelos vistos...não fui só eu, insignificante eu, que gostei de o ler!

 

 

"Leão , o Africano",Amin Maalouf, Quetzal

 "O Calendário de Córdova" ,Yves Ouahnon, Lyon edições

publicado por mfssantos às 11:29

09
Jun 10

Este é o nome de uma revista que premeia o jovem designer e inventor português , Manuel LIma.

        Já tarde na noite - mais uma vez...os horários...a noite...a escolha de programas destinados aos"iniciados", quando deveriam criar públicos, espevitar a curiosidade... - já tarde, ontem à noite ,apanhei na Tv2(pois onde haveria de ser? ) uma conversa interessantíssima entre o entrevistador e MANUEL LIMA. Que me perdoe a ignorância, nunca ouvira este nome. O assunto chamou a minha atenção por me parecer que o meu neto, no primeiro ano de Belas Artes, gostaria de ter podido apreciar...Além disso, o entevistado irradiava simpatia e calor humano, na simplicidade com que expuha o seu percurso.

        Diz ter começado por querer ser "bombeiro", como todos os miúdos, mais tarde arquitecto, finalmente designer e... inventor. Entre outras coisas, trabalhou para a Nokia e, de momento, vive em Londres e tem um project para a BBC. Disse coisas que me deixaram a pensar, por exemplo, a relação entre funcionalidade e estética, a estética como consequência da funcionalidade... as vantagens de tudo catalogar...para poder medir e transformar em cartografia digital...a vizualização da informação...as tecnologias da informação... - tanta coisa de que nada sei, mas gostaria de poder acompanhar !

        Quanto orgulho neste Português, premiado no estrangeiro e... desconhecido (?) em Portugal ! Quando muito, conhecido apenas das tais elites , quando poderia servir de exemplo aos nossos jovens, nesta época do ano a fazer escolhas relativas à sua formação para encarar o futuro e ...a "crise", os tais que se limitam ao bar da esquina, à Hanna Montana, a Morangos...que não ouvem noticiários e desconhecem como vai o mundo, que não lêem jornais, para irem formando a sua opinião... que vagueiam por aí ,quando poderiam ser os motores nesta época tão cinzenta, a suspirar por um arco-íris!

 

Que vivam os criativos e as boas ideias !

publicado por mfssantos às 10:04

02
Jun 10

Há percursos que fazemos todos os dias, às vezes, mais que uma vez ao dia.Conhecemos as pedras da calçada, os buracos do caminho, os lugares soalheiros ou sombrios. Passamos, quem sabe, aparentemene indiferentes. Mas, se uma mudança surge..."o que é isto?" !

 

Naquela vila beirã foram dadas ordens para plantar umas árvores ao longo de umas tantas ruas. "Para quê?" "Tiram espaço ao passeio, que já não é muito largo" "Impedem a vista da minha janela"" Vão encher de lixo o meu jardim no cair da folha!". E as vozes queixosas da terra foram-se ouvindo...Ao Outono seguiu-se o Inverno e, um dia, os habitantes daquelas moradias abriram as janelas numa manhã de Primavera e foram surpreendidos por um perfume intenso.Investigaram a causa e logo descobriram as tais arvorezinhas, de braços erguidos ao céu, carregadinhas  de flores!A caminho das escolas, pois se tratava do percurso obrigatório, a vozeria da criançada, que aproveitava a sombra, misturava-se com o chilrear de andorinhas e pardais. E as gentes da tera diziam agora "porque à minha porta só plantaram uma árvore e à porta do meu vizinho há duas." (...)

 

As crianças em idade escolar agradecem a teimosia de quem levou por diante a ideia.

 

Também eu tenho os meus percursos habituais. E que atravessam um vasto espaço despido, também ele caminho obrigatório para a zona escolar, percorrido diariamente por largas dezenas de crianças e jovens. É um espaço interessante, exactamente pela sua rude simplicidade. Numa manhã de Primavera até lhe consigo encontrar a beleza sem dar conta dos inconvenientes. Mas,quando o calor aperta e o termómetro sobe aos 33 graus...

 

Porém...quem sou eu para comentar uma obra de Siza Vieira?!

 

 

publicado por mfssantos às 16:50

01
Jun 10

 Quatro...quatro que não distingo no amor que lhes tenho.

                                 As minhas quatro crianças estão a crescer...crescem depressa, às vezes...demasiado depressa! O mais velho até já pode votar! As duas "manas-primas" estão umas senhorinhas, já"olham para a sombra", sacodem as cabeleiras, dizem segredinhos e recebem e enviam montes de mensagens...perante a resmunguice inaceitável desta vó... O benjamim é um doce, bem-humorado,inventivo, brincalhão, sempre a pensar "na próxima"...mas que nos brinda com os seus "concertos" de trombone, com as cantigas que celebram D. Afonso Henriques e que acompanha ,voz clara muito afinadinha, "As Dunas" que a mana anda a ensaiar agora...

                                Todos os dias dou graças por estes netos. Eles vão-se afastando dos mais velhos, ainda que se faça um esforço para acompanhar o mundo em que eles vivem...às vezes protestando contra escolhas ... bem diferentes das nossas...tipo "Morangos...", Hanna Montana, Jusitne...Porém, quando um já reconhece no écran o maestro Dudamel...ou identifica os instrumentos na orquestra...ou lê com prazer textos inexpectáveis,ou desce a Penha de bicicleta, toca Bach na transversal  ou canta e se acompanha à guitarra...nessa altura...o peito enche de orgulho, a voz entaramela nas felicitações...e a lágrima ao canto olho é inevitável. Louvado seja Deus que nos permite esta alegria!

publicado por mfssantos às 17:04

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