"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

25
Nov 09

Falemos de  pés. Sim, daquela parte do corpo que fica na extremidade das pernas... Estão lá em baixo...longe da vista...rasteirinhas...junto ao chão...uhm...

 

           Pergunto: quantos já pensaram que vão andar a  vida toda...em cima dos pés...dos seus pés   ?!  Muito poucos, julgo eu, a ajuizar por mim própria. Pois....ultimamente...não tenho feito outra coisa senão pensar que devia ter pensado em pensar neles muito mais!

 

Os anos estão cá, os ossos protestam...E o desprezo com que habitualmente tratamos destas minudências rasteiras...vem ao de cima nos problemas que limitam a capacidade de nos deslocarmos, de fazermos a tal  "voltinha dos tristes" que nos é tão necessária e útil, de nos movermos descontraidamente, sem pensar nos ditos - é que , se não pensamos...é porque não nos incomodam! E quando nos incomodam...há que procurar ajuda, ajuda de profissionais. Se for a tempo...

 

Nem sempre as modas corroboram os direitos dos pés e dos seus donos...Mas não estamos na China, onde a tradição era ligar os pés das meninas, para crescerem com eles pequenos e delicados ...Quanto a mim, sou pelo conforto. Pelo conforto e pela saúde!

 

Acreditem: não tenho nenhum podologista na família!

publicado por mfssantos às 20:47

23
Nov 09

 

Pois é. Subitamente apareceram espectáculos em Vila Flor às seis da tarde ! Aleluia!

Finalmente posso aproveitar -  é que costuma ser tudo depois das dez da noite, o que muito me irrita... Adiante. Sábado era ainda tempo de Jazz , a orquestra vinha da Escola Superior de Artes do Espectáculo do Porto. E do Porto veio também o Filipe no combóio das 5.30. Fui esperá-lo  e, juntos, partilhámos aquela horita musical. Não sei se o melhor foi a música...se a companhia. Enfim, actividades para avós e  netos...são uma ideia que há muito desejaria ver fomentada...Pois, no Domingo, também em Vila Flor, "Pedro e o Lobo" era a proposta musical irresistível! Outro neto me levou pela mão; aluno da Academia, tinha convite,não tinha companhia, porque a irmã está doente. E lá foi a avó, muito feliz de o poder fazer, está visto.

A casa estava cheia, corremos o risco de perder o espectáculo.Mas valeu a pena e a criançada vinha entusiasmada.

 

Ora digam lá se não tenho razão: devia ou não haver regularmente actividades para avós e netos, a horas - nem sei como dizer - decentes? razoáveis? apropriadas' "civilizadas"?... 

Vejam os senhores promotores que também eles teriam nisso vantagem: é que estarão a preparar públicos para futuro! Só se ama o que se conhece. E, para conhecer...é preciso ter para tal oportunidades - digo eu...

publicado por mfssantos às 10:19

22
Nov 09

Datas...O que elas trazem ao pensamento ! A de hoje ( ou seria a de ontem? ) fez - me pensar no meu exame de Licenciatura , licenciatura em Filologia Germânica...Tantos anos...quarenta e nove! Na mesa...os Doutores Providência e Costa, Director da Faculdade de Letras, Albin Beau e Paulo Quintela...a "fina flor" de uma época...quantos medos...quanta responsabilidade...quanta ignorância - a nossa, claro - mas quanto desejo de saber, quanta alegria em aprender, pensar , discorrer -"ora agora faça lá o molho!" ,dizia Paulo Quintela, tirando os óculos e recostando-se na cadeira...e nós lá íamos dizendo de nossa "sabedoria", tentando ligar à prática a teoria estudada e aplicada aos textos com o que a nossa sensibilidade permitia...tanto gozo  ( ou não ) em pressentir a aprovação do Mestre ...

Com o exame de licenciatura vinha a defesa de tese...outra angústia  ao fim de um ano de leituras, investigação, troca de ideias com estes e aqueles - mas nunca com alguém que desse uma orientação...a maior mágoa que guardo, pois trabalhei sempre só, entregue aos meus recursos : procurei, em Inglaterra e em Portugal, ediçôes dos romances de Benjamin Disraeli; à venda, publicação actual, apenas um , aquele que o Mestre também possuía...; os outros quatro ou cinco um alfarrabista gentil mos desencantou , não sei onde ,e mos mandou à consignação...Neles fiz a minha pesquisa sobre o pensamento social e político do ministro da Raínha Vitória...e retirei conclusões, que foram documentadas com excertos das obras várias que , ou me engano muito..., só eu lera...

Pois a única "crítica"  feita ao meu trabalho referiu "a belíssima prosa...disraleana" - e a minha mente bloqueou, perdeu capacidade de argumentação...É que as citações não apareciam por acaso! Exemplificavam o que eu concluira das leituras...isso é que eu gostaria de ver salientado, comentado...Mas pouco mais foi dito, além de uma ou duas sugestões nas traduções de textos...Tanto trabalho a que ninguém deu valor...

Ainda hoje tenho raiva de mim por não me ter defendido com unhas e dentes perante o"desrespeito" pelo meu esforço...

Eram assim os tempos...O Mestre dizia...o aluno...ficava-se...

Mas , reconheço-o :eu seria uma pessoa diferente ,caso não tivesse sido aluna de um Paulo Quintela e de um Albin Beau ! Paz às suas almas!

publicado por mfssantos às 12:43

20
Nov 09

Hoje tenho andado com a cabeça na lua.Estou cá, mas não estou aqui. O pensamento anda perdido, vagueando pelo passado.

O chão da minha sala encontra - se coberto de livros. Não se trata de edições raras.São, na quase totalidade, livros escolares, livros dos meus filhos, uns da primeira ou da segunda classe, outros dos complementares, à mistura com cadernos de exercícios.

Revejo aqueles miúdos que eles foram, recordo as preocupações e as muitas mais alegrias que  nos deram,e alguns professores que marcaram as suas vidas - para o bem e, algumas vezes, para mal...mas marcaram! E os que marcaram para o bem são, e serão ,recordados com carinho.

 

Noutro canto, em cima da mesa, o que parece banca de ciganos em feira de aldeia: uma inesperada inundação fez retirar à pressa as caixas de "guardados" que continham roupinhas de bébé,de menina e de menino , os meus netos. Camisinhas, babetes, sapatinhos, macacões, vestidinhos...até o vestido de baptizado ! Uma a uma foi trazendo à memória lembranças daqueles primeiros tempos de enlevo e alguma preocupação,o lençol bordado pela Madrinha para o Pai e que brilhou no carrinho dos filhos, o xailinho feito pela Avó, os casaquinhos tricotados com dedicação pela Tia...Ai tanto amor, tanto, tanto, que rodeou estes queridos, e que eles hoje em  dia retribuem com juros..

.

"Adoro - te muito, Avó".

"Olha que eu não sei se isso é bom Português..."

 

Também eu vos amo, gosto muito dos meus netos. Destes e dos outros dois, lá longe.

publicado por mfssantos às 19:01

17
Nov 09

Continua a apetecer-me citar Sousa Homem, " um reaccionário minhoto ", pela actualidade de muitas   das suas crónicas, que agora ando a ler.

 

"Viver em liberdade, ou seja, aceitar também o escrutínio de estranhos, significa que quem vai à guerra dá e leva.  (.........) Há um preço a pagar quando se tem vida pública - pela simples razão de que, ao tê-la em excesso, abdicamos da vida privada; não parece existir salvação.(...........)A televisão e as revistas de sociedade (........) não nos ensinam senão  isso : ao mostrar o rosto, ele gasta-se. Mesmo a vaidade de um velho, como eu, é perigosa. " 

                           in "Os Males da Existência "

publicado por mfssantos às 12:24

 Numa época em que telefones e telemóveis estão na boca do mundo - e pelos piores motivos  -  eu, que já tive a pouca sorte de escutar, sem querer, tantas conversa inúteis, algo parvas e descabidas, até maliciosas, em  transportes públicos, no café, onde calha! pois eu fui ontem brindada , via telefone, por um belo quarto de hora de um concerto de flauta ! momento mágico, de algum espanto, pelo que trabalho, persistência , gosto, sem dúvida também o empenho de Professores, podem fazer ! De Setembro para cá, a minha neta Maria está a preparar -se para fazer um brilharete pelo  Natal ! Parabéns, carocha !

Que alegria ter netos músicos ! Eu sei quem, de longe, também rejubilará.

Mais uma vez : que viva a música e todos que a promovem !                          

publicado por mfssantos às 12:02

12
Nov 09

 Citando de  "Os Males da Existência" :

 

" Há quem pense que a idade é uma vantagem. Seguramente não é. Com o tempo vamos ficando maduros e tranquiulos; mas com a idade vamos apenas reparando nos defeitos dos outros e quase nunca nos nossos" 

                                                                              António Sousa Homem

 

 

Bem...dá que pensar......

publicado por mfssantos às 15:04

11
Nov 09

Se a memória me não atraiçoa, é no dia Io de Novembro de 36 que Miguel Torga faz, no seu diário, uma reflexão sobre o casamento. Casar...? não casar... e por aí adiante. Há tempos,relembrando o casamento dos meus Pais a 11 de Novembro de 36...dei comigo a interrogar-me se o escritor teria ido ao casamento dos meus Pais...É que ele era, à data, médico na nossa aldeia, visita da casa,amigo para as noites de "sueca"...

Depois...continuo a divagar : os meus Pais casaram em Fátima...Como se teriam deslocado noivos, familiares e convidados? Já havia carros na minha aldeia...o Pahnard(?) do Engenheiro Reis, talvez o Austin dos Simões...e o meu Pai e o meu Padrinho também já deviam ter "um bólide", ( de um Fiat e de um Renault me lembro eu, já mais tarde)...

Sei que a cerimónia estava prevista para a uma da tarde e seria seguida de alomoço...Só que o pároco local apareceu...já quase de noite...alterando todos os projectos da boda... um dos quais eu lamento sempre : não há fotos! já não havia luz natural...e o flash não estava presente! É assim que, nas caixas e gavetas de fotos antigas, desencantei uma preciosa, numa rua de Lisboa, "à la minuta", o casal, de braço dado, o meu Pai sorridente, chapéu à banda, lenço branco farfalhudo no bolso; a minha Mãe, chapelinho pequeno agarrado à cabeça, olhando o Marido com aquele olhar embevecido das noivas...em lua de mel...

Ai, do que me fui lembrar hoje! Mas é que um casamento é sempre algo especial, independentemente de convidados, malgrado  as peripécias e contratempos que possam advir...no próprio dia ...e vida fóra .

E, depois, afinal...estou cá eu!

publicado por mfssantos às 15:28

09
Nov 09

Há dias que vimos ouvindo  e vendo coisas sobre o Muro de Berlim, vinte anos após a sua queda . Como foi possível ?!  admiramo-nos ainda hoje, nós, na nossa jovem democracia.

 

Pois que se fale, que se mostre, que se ouçam testemunhos que ajudem a não esquecer, em memória dos por ele sofreram...E tantos foram!

 

Mas... não é que ainda há muros da mesma família ? Chipre...Irlanda..

 

Se o ser humano usasse as suas capacidades para o Bem... se as fontes de discórdia fossem torneadas... se a tolerância e a generosidade vencessem... se , com lealdade,se implementassem soluções.... se...se...se...

Utopias ?...

publicado por mfssantos às 15:45

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