"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

15
Abr 13

Retorno

 

Já nem sabia como "passar por aqui" ! Calhou, hoje calhou. O dia amanheceu cinzento, chuvisca, e a Primavera nunca mais se instala este ano. Ontem já parecia ir ressurgir...hoje...já duvido. O clima está a transformar-se, o tempo anda louco...como os tempos actuais.Esta insegurança é comum a muitos aspectos da vida, e a intranquilidade interior... não é propícia à escrita...Se bem que esta poderá ser para mim uma companhia...na "velhice" e no isolamento em que vou vivendo.

Estes dois últimos anos, agora que penso nisso, foram anos de adaptação a uma nova condição física, a uma nova forma de estar. Articulações fragilizadas, demora na procura de profissional competente para uma orientação adequada...algum conformismo a "um problema  degenerativo", sem retorno...disseram-me...fui deixando, deixando...e passei a ficar por casa...cada vez com mais dificuldade em movimentar-me. Bem...o aconselhamento de alguém categorizado permite-me hoje mexer-me com a agilidade inerente aos 75...desde que não abuse, claro.E a "medida" é esta: o percurso que fazia antes em 15... leva hoje...uns 30 minutos...e o cansaço é equivalente a ter andado...horas!

Resmungo, lamento-me...mas acabo dando graças. Penso na minha Mãe, estou a parecer-me com ela, nas expressões, nos gestos, nas mãos...e embaciam-se-me os olhos ao constatar que, com a mesma idade...já ela era totalmente dependente. Asssim vou ganhando ânimo para me ir bastando...vagarosamente...sem exigir muito...sem "sonhar" fazer coisas que costumavam ser banais...Pegar no carro e ir a Braga, às Caxinas...ao Porto...ouvir o Sr. Urso cantar na Concha do Palácio de Cristal, como aconteceu ontem...e eu não fui...De carro, felizmente, ainda faço sem medo o caminho até Coimbra, pela auto-estrada, atravessando a cidade para alcançar uma das várias escolhas, todas elas...pouco "simpáticas", para chegar, curva contra-curva, às nossas serras, à casa - mãe, às origens, aos meus maiores no cemitério da aldeia. Lá encontro a filha e a família, sou recebida com sinais de grande regozijo pela nossa Pen e, estando bom tempo, um jardim e um quintal para cuidar...

Entre a "cidade e as serras"...cá vou aproveitando o tempo que me resta procurando bastar-me a mim própria e, quando possível,ajudando os netos ou os filhos, única  família que resta... oito , comigo nove, tão difíceis de reunir, congregar, animar num mesmo projecto, sensibilidades e percursos diversos...a sul, as artes, a música, a convivência ...a norte, a Natureza, os desportos radicais, o campismo, a cozinha ao ar livre...amigos  muitos, do mesmo "estilo"...E eu...no meio, ora cá, ora lá, "encaixando-me" sem grande esforço, desde que, sem "barafunda", haja paz. "A vida vive-se de muitas maneiras", já dizia a minha Madrinha...

 

Vou procurar passar por aqui com alguma regularidade...

publicado por mfssantos às 09:05

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