"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

24
Nov 11

De facto...eu sou mesmo muito "antiga"...

Já posso dizer " no meu tempo"...

 

No meu tempo, a palavra "política" não se ouvia por aí. Com certeza seria usada...e praticada. Eu é que estava muito longe do assunto, criancice, ignorância...não sei. Tenho uma ideia de que havia "os da situação" e os que eram contra a situação. Estes eram, por vezes, apelidados de "democratas" ou  reduzidos a "comunistas"- com toda a conotação negativa da palavra... (se até comiam meninos ao pequeno almoço...!!! )

Nos complementares, que correspondiam aos actuais 10º e 11º anos, havia a disciplina de "Organização Política e Administrativa da Nação", mas nem aí se nos abriram portas para este mundo! Imaturidade? Indiferença? Ou determinada insípida e inócua apresentação do assunto? À distância, não saberia dizer. Hoje concluo facilmente que tudo é política, ela faz parte do nosso dia a dia, com conteúdos e gradação variáveis. Exemplifico:quando opto por comprar produtos portugueses, estou a fazer política;quando me recuso a usar o carro da minha repartição, se vou passear com a família...estou a fazer política; quando recuso serviços "mais em conta" sem IVA...estou a fazer política; se opto por tratar os funcionários que de mim dependem pedindo "por favor" e dizendo "obrigada"...estou a fazer política - digo eu, à minha maneira. Pois é,vem de dentro, está na atitude.

 

Com o 25 de Abril, todos fomos mergulhados na política, tomámos consciência que havia alternativas diversas para governar os países, que estas eram mais assim e aquelas mais assado - passe a expressão - que era preciso reflectir,pensar, avaliar, criticar para melhor construir...e optar, cumprindo depois escrupulosamente o acordado . Foram tempos gloriosos, de expectativa e entusiasmo, de disponibilidade para servir ...pese embora a revolta daqueles que tinham perdido privilégios...

As circunstâncias, as dificuldades, as oposições, provavelmente, a impreparação - e a desonestidade de alguns - fizeram ruir muitos sonhos. Porém, sabemos que muita coisa permanece; e que aquele passado autoritário e cinzento jamais terá condições para regressar. É que há aprendizagens que se não deixam destruir.

 

E chegamos ao dia de hoje: uma greve geral põe na rua um povo que se questiona sobre o caminho a seguir, para continuar a construir um país onde os direitos humanos prevaleçam contra os abusos de mercados, de poderosos, de exploradores...

O voto, expoente máximo da democracia, deu aos nossos representantes o dever de "arrumar a casa", displicentemente "desarrumada" ao sabor de um novo-riquismo ignorante, de usos europeus para nós incomportáveis, de facilidades bancárias, de crédito fácil...de muitos abusos. Só que se não fazem omoletas sem partir ovos... E, na minha ignorância, parece-me que muitos vão ser partidos...Esperemos que as galinhas não sejam degoladas...

 

Onde a força para resistir? para perseverar? para não deixar de sonhar? "O sonho comanda a vida", já dizia o Poeta...

Seremos nós capazes?

publicado por mfssantos às 17:44

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