"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

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Jun 11

Neste dia de Portugal, de Camões e das Comunidades,televisão ligda toda a tarde, já cansada de discursos e comentários a discursos, "apanhei" por sorte, na RTP2, um programa sobre Zeca Afonso que me pareceu também um pouco da história dos últimos cinquenta anos.

 

Conheci o Zeca Afonso ainda estudante, em Coimbra. Lembro-me dele de capa e batina, fitas azuis ao vento, colaborando com o Coral dos Estudantes de Letras da Universidade de Coimbra (CELUC), fazendo a última parte dos espectáculos com baladas e fados. Numa viagem memorável a França, teve enorme aceitação , na cidade universitária  em Paris,num teatro de Biarritz, e entre todos os companheiros de aventura. Duma enorme simplicidade, insensível ao seu próprio  valor,muito ao contrário, achava sempre que estava mal, que a voz lhe faltava, que "a coisa" não correra bem! Como se enganava! Ele já dava mostras da diferença, já preconizava a mudança que a sua música havia de realizar. Passados anos, numas férias na praia, voltámos a encontrar-nos, já saudosos de um vida académica passada, sonhos e projectos a tomar conta das nossas vidas. "Ando agora a congeminar umas coisas...bem...não é fado de Coimbra...vamos ver..." Mais uma vez modesto, talvez inseguro, mal imaginaria na altura a importância que viria ter na música portuguesa, na vida portuguesa, na sua procura de justiça social, na sua participação na conscencialização das populações ...passando da balada à canção de protesto, de combate, de denúncia dos abusos, tendo sido preso por isso mesmo; nem assim o seu poder criador diminui, ao contrário, a sua produção poética evoluiu em qualidade crescente...e, daqui a cinquenta anos ele continuará a ser apreciado e cantado, como neste programa feliz hoje afirmou António Vitorino de Almeida.Retratado por intervenientes de várias origens sociais e profissionais, um traço comum nas narrativas me tocou : todos se emocionaram ao evocar aquele último concerto no Coliseu, em que, já muito doente, conseguiu ainda galvanizar o público e viver com alma a sua arte.

 

Num dia em que é esperado celebrar Portugal e os Portugueses, foi uma escolha acertada evocar o músico e o Homem ,com o pano de fundo da época especial em que viveu.

publicado por mfssantos às 22:38

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