"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

01
Nov 10

No Outono os dias decrescem e, com a entrada da "hora de Inverno", que atrasa os relógios sessenta minutos, as aulas da tarde acabam ao lusco-fusco, as luzes da cidade a começarem a acender.

Descia a esdadaria de pedra da Escola, quando uma toada que, ao princípio, não consegui identificar, me chegou aos ouvidos. Prestei atenção e as palavras surgiram aos poucos,  vindas lá do fundo da minha infância:

 

                                                                      Bolinhinhos, bolinhós

                                                                      para mim e para vós,

                                                                      para dar aos finados....etc.

 

Era assim que se cantava na minha aldeia na véspera do Dia de Finados.Grupos de crianças iam de porta em porta cantar para "rezarem pelas almas". Daí que, nalguns sítios, se chame aos ditos bolinhos " pão de Deus". Quem os recebia ,rezava pelos mortos de quem dava. Na casa da minha Madrinha, faziam-se broínhas de mel que, juntamente com nozes e castanhas, iriam encher as sacolas da criançada.

 

Já estudante em Coimbra, ouvi ainda algumas vezes cantar esta melodia. Surpresa! Ele há coincidências que nos deixam sem palavras:aquela voz, ali ao fundo das escadas da Escola, calou-se subitamente para logo saudar "Boa noite , Doutora! Lembra-se de mim?Viva a Académica!". Sentado na soleira, ao lado a muleta que lhe facilitava o andar de deficiente, estava um homem dos seus quarenta anos, envelhecido, mas o mesmo rosto, a mesma voz que, em Coimbra, nessa época ainda acompanhado pela mãe, vinha regularmente à minha porta por um prato de sopa! Explicaram-me mais tarde que viera com os jogadores de futebol para um jogo qualquer...e resolvera ficar.

 Uma época da vida muito preenchida na altura não me permitiu aprofundar a história , o destino deste conterrâneo que, na sua pobreza infeliz, encontrava ainda forças para cantar, para saudar quem passava, para procurar locais onde "os estudantes. " e as "capas e batinas" lhe fizessem recordar a sua cidade. Sei que , ao ler este texto, muitos dos que passaram por Coimbra entre 55 e 65 se irão recordar desta figura, que sempre andou por perto da Academia.

A vida tem coisas...!

publicado por mfssantos às 20:37

Interessante história de vida...
Amanhã entre as 2,30h / 3horas na Oliveira, pode ser? Espero que ainda esteja por cá.
Bjo
mariali a 2 de Novembro de 2010 às 14:22

Para a semana entro em contacto. Valeu? Obrigada por se lembrarem de mim. Abraço, M.F.
mfssantos a 2 de Novembro de 2010 às 16:53

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