"cantarei" o que a vida me oferecer... bichos...efemérides...alegrias...raivas(!) e o que mais adiante se verá!

11
Mai 12

{#emotions_dlg.meeting}Em trinta e sete anos de actividade, só chegada a esta cidade encontrei um local de trabalho com a dignidade que a profissão merece.

Era um edifício sólido,recente, planificado criteriosamente para o número de utentes à época, satisfazendo critérios adequados à sua finalidade - naquele tempo...há cinquenta anos.

        Entretanto, muita coisa aconteceu, mudanças radicais ocorreram, houve uma revolução pelo caminho, abriram-se oportunidades para muitos mais, os espaços tornaram-se apertados...uma escola construída para 500, 600 alunos passou a ser procurada por 800, 900, 1000, 1200...talvez  mais. Das oito às vinte e três, três turnos echeram de actividade aquele espaço que se ia adaptando às urgências dos tempos - com sacrifícios, falhas, defeitos, incómodos...mas talvez sempre com espírito de serviço e prazer no dever cumprido. E as coisas foram evoluindo...as políticas de ensino foram sendo alteradas, a exigência em relação ao tempo passado na escola aumentou...a mudança tornava-se necessária.

        Até que um dia a notícia surge: a nossa escola está incluída no programa de requalificação de edifícios escolares. De facto, canalizações, parte eléctrica, esgotos...telhados...pavilhões...cozinha...recreios...exigiam atenção...

       Não é fácil "remendar"... e os espaços também não "esticam"... Soluções? Só   técnicos  da área seriam competentes, com superior aval, para definir como resolver o problema, pegando nele como um todo, integrando o que pudesse ser integrado...recriando, ou mesmo criando a partir do nada,se tal se revelasse a melhor saída. Muita gente, porém, gostaria de ter sido ouvida, de manifestar o seu amor àquelas pedras , de conservar isto ou aquilo de tão gratas recordações...É natural, é humano...mas complicaria... e de que maneira! Cinquenta anos representam muita gente...se todos fossem solicitados a "dar palpite"...ainda nada estaria feito...Mas talvez tivesse aberto portas a uma maior disponibilidade para aceitar a inovação, a diferença...a mudança...Quem sabe?

       No momento, a remodelação está concluída, embora haja ainda muito trabalho pela frente, na limpeza, na decoração, no mobiliário...que sei eu! Entra-se no edifício por um hall airoso, os tectos falsos mais baixos para acomodar tubos disto e daquilo. Noentanto, entradas laterais estão ao serviço dos alunos, que também ficaram a ganhar em campos de jogos, ginásios , recreios cobertos,salas deconvívio e refeições...Não faltam locais para os livros, a biblioteca antiga conservada no seu estilo próprio, a outra bem actual...Salas de desenho, com luz adequada, sala multi-media, laboratórios que já fizeram inveja a universitários de visita...Enfim, quando toda a máquina estiver "afinada", pode ser uma escola modelo. Quero crer que o seu prestígio como representante dum ensino de qualidade e dum ambiente humano cordial beneficie também com os melhoramentos havidos no património edificado.

 

P.S.

Faltou fazer votos que não falte o dinheiro para manter "a máquina" em movimento!

publicado por mfssantos às 17:59

02
Mai 12

Gostava de ser capaz de pôr ordem no turbilhão de ideias que me invade.

Já passaram semanas, mas o assunto continua a vir à baila, nas conversas, nos jornais, na boca do povo e na de "opinion makers", em jornais, respeitáveis ou não...Quem sou eu, portanto, para "dar palpite"? Pois...sou de fóra, já não sou...jovem, já vi alguma coisa do mundo, convivo com algumas pessoas ligadas às artes, ao urbanismo, à recuperação de... enfim , basta de justificações. Vamos ao caso. A pergunta é:

 

                                                        "Varandim" no Toural...sim...ou...não?

 

Quando há mudança, reforma, remodelação...diferença... há sempre um grupo de resistentes, de "autores de obras feitas", de "espírito de contradição"...ou...de fanáticos apoiantes. Por mim, pus-me a pergunta: gosto? não gosto?...Pois não fui capaz de dar resposta. Decididamente, não poderia dizer "não gosto". Mas também me é difícil responder , " a seco", "gosto, gosto muito!". Então, como explicar-me a mim própria?

 

Só encontro uma forma, talvez difícil de aceitar por muita gente: tenho de olhar para o caso como para uma obra de arte, como produto da criação de alguém que não é " comum mortal". Olhar...como se olhasse para um quadro...de Gauguin, um prédio de Gaudi... uma escultura de   Rodin...um desenho de Picasso ou de Dali - eles que me perdoem o atrevimento! Mas, caso não gostasse de alguma das suas obras...não me passaria pela cabeça exigir que a retirassem da avenida, do museu ou da catedral... No máximo, expressaria  agrado... ou desagrado...ou  asssim-assim...

 

Por outro lado... a arte não "serve para"...É arte. Ponto. Esta discussão vem de longe e a conclusão parece óbvia. Por conseguinte, exigir, ou apenas sugerir, que "o varandim" seja, de imediato, retirado do Toural, porque não serve para nada...parece-me uma enorme falta de respeito pelos criadores, pelas instituições "pagantes", pelos trabalhadores executantes...por aqueles que ...até gostam , ou que estão dispostos a "habituar-se", a procurar compreeender a opção do outro...

 

Se bem percebi, a ideia é que o varandim "sublinhe" o desenho no chão...lhe sirva como miradouro... Isto eu tenho dificuldade em acompanhar...mas aceito que outros o possam fazer.

Também ouvi dizer que se pretendia, com o varandim, deixar uma marca, um sinal palpável, concreto, duradouro... que servisse de testemunho para futuro da riqueza que este ano de 2012 representou para a cidade e suas gentes. Que, quando alguém perguntasse " o que faz aqui esta grade?", se pudesse responder "Ah, lembra aquele ano fabuloso em que a nossa cidade se "vestiu de lavado" para acolher as mais variadas manifestações artísticas, os visitantes, a participação integrada de representantes das comunidades locais nas celebrações...toda a animação que levou a cidade às bocas do mundo..."

 

O varandim não estorva ninguém. Divide um espaço, deixando um passeio largo para quem se desloca, e o restante largo para os que ali param, admirando as belíssimas fachadas, fotografando, reunindo para clamar vitória ou para bradar por justiça, para realizar jogos (a batalha de almofadas foi um exemplo), para fazer discursos defendendo ordeiramente pontos de vista (como em Hyde Park Corner...), para espectáculos de rua...para uma serenata, por que não? (menina estás à janela)...tudo o que a imaginação possa lobrigar....

 

Aceitam-se sugestões!

E o varandim que fique. E que seja estimado.

 

Terei "arrumado" as minhas ideias?...

 

 

publicado por mfssantos às 14:17

29
Abr 12

Inesperadamente, sem aviso...ao abrir a porta,senti vozes.Afinadas, cantavam, numa língua que não entendi.Imaginei que, numa decisão que apoio incondicionalmente, alguém tivesse posto música ambiente no edifício, sempre procurado por turistas, e ainda mais neste ano  da CEC.Mas... não.

Discretamente, procurei o lugar do costume, hábito de muitos anos, e observei, procurando entender.

Quem eram aquelas quarenta, cinquenta pessoas, homens , mulheres, jovens e menos jovens, que, dispostos a esmo em semi-círculo, cantavam a vozes com simplicidade, sem maestro nem palco?! De quando em vez, ouvia-se a palavra Maria; e as terminações das palavras sugeriam uma língua eslava...

Não resisti: quando terminaram e se dirigiam para a saída, abordei uma senhora e, em inglês (língua universal...),felicitei e indaguei a nacionalidade. Lubljiana, foi-me respondido com um sorriso. E eu meio "embaçada"...

Ficara emocionada com aquela expressão de louvor a Maria; mais ainda com a facilidade com que este grupo executava o canto a vozes ,como alguém que bebe um copo de água em dia de verão, perante a imagem da Senhora, neste caso a Senhora da Oliveira, venerada em Portugal. Não sei o que mais me impressionou, se a fé, se a capacidade de um povo de expressar musicalmente os seus sentimentos.

publicado por mfssantos às 18:41

23
Abr 12

Emoções?...Com  certeza. Nem podia ser de outra maneira. O CELUC comemorou 58 anos... eu comemorei os cinco  que lhe dediquei com o entusiasmo que só a juventude proporciona...

 

Caloirinha fresca, às cegas e desconhecida numa Faculdade que nos abria portas...a medo procurei as inscrições...fiz o teste de voz...comecei a ir aos ensaios, todos os dias do meio dia à uma...comigo outros tantos principiantes e alguns veterenanos...Mas o que contava era o maestro, que a poder da sua voz, ora digo, tu repetes...ia preparando os naipes aos pares:sopranos e tenores um dia; no dia seguinte baixos e contraltos; dois dias depois...todo o mundo. Depois...era ir aperfeiçoando, corrigigindo, educando...sim, porque ninguém sabia uma nota de música! Quanto esforço e quanta dedicação, numa época em que não se ouvia falar de grupos corais mistos...Havia em Liboa o do maestro Lopes Graça...mais tarde, no Porto,o de  Mário Mateus (?) Tudo estava por fazer! era preciso "educar" os cantores...mas também era preciso educar o público. Então num meio académico, com a rapaziada pronta a divertir-se à custa dos "artistas"....está-se mesmo a ver : de braços erguidos para dar o tom...quantas vezes foi preciso descê-los, levantá- los, tornar a descer e depois levantar...até haver silêncio na sala e, finalmente, mostrar o que tínhamos aprendido. E aprendemos muito! Foi mesmo uma escola de formação musical, de exigência e disciplina, de formação do gosto... Como não recordar com saudade estes tempos, contrapeso nas épocas de esforço, de exames, de luta pelo tal lugar ao sol em meio desconhecido? Cimentaram-se amizades, cumplicidades, solidariedades...e até se vieram a fazer viagens várias...casamentos...

 

Pois este dia 22 reuniu um grupo no Pátio da Universidade, para a Missa na belíssima Capela, abrilhantada pelo magnífico órgão e coro...nas nossas mentes a memória dos que foram à frente - e já são muitos. Mas logo, reunidos na escadaria para a foto sacramental, se ouviram vozes a cantar com entusiasmo...o "João Barandão", o "Vira-te para mim ,ó Rosa"... mas já sem coragem para o "Steal away", que esse...fia mais fino! "Quem canta...seus males espanta" -  e lá nos animámos para o almoço, que decorreu na encosta frente à cidade...

Não sei se é verdade: "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida"?...

publicado por mfssantos às 17:24

17
Abr 12

A convivência com certas pessoas torna-nos imediatamente melhores pessoas - é uma espécie de sistema de vasos comunicantes, ou uma incapacidade visceral de resistir a uma boa influência. "Junta-te aos bons e serás um deles", diz o povo...

 

Outros grupos há cuja convivência promove em nós a cumplicidade com a bisbilhotice, o comentário cínico, o riso trocista - destes há que procurar distância.

 

Restam os que passam por nós ( e pela vida?) sem deixarem marca positiva, tal a sua insignificância . Não pensam, não agem, não produzem, não têm que partilhar, que oferecer, que promover...Mas sugam avidamente o que se lhes apresenta pelo caminho: esgotam-nos, desmoralizam-nos, "deitam-nos abaixo", deixam-nos exaustos...quem sabe, descrentes da nossa própria força para perseguir o sonho...Aqui, há que bater o pé e não descurar a auto- estima.

 

Sorte a daqueles que souberam/puderam rodear-se de quem "se dá" e não se limita a "usar".

publicado por mfssantos às 10:36

10
Abr 12

Não estava perdido...porque não foi guardado. Apenas ficou "esquecido" num molho de fotografias com anos. Vou transcrever...para permanecer...

 

 

 

          andar para trás

          para ir para a frente...

          abrir os aloquetes da memória

          das pequenas felicidades já cumpridas

          e nelas descobrir

          as forças necessárias toda a hora

          para existir!

 

 

 

A data aposta num cantito reza 10/8/05... Agosto na aldeia.

Não é que poderia ter a data desta Páscoa...Abril de 2012?...

 

 

 

 

 

publicado por mfssantos às 19:24

09
Abr 12

Já cá estou de novo.Da Serra para a capital europeia da cultura. O contraste será evidente, já Eça o assinalou em "A cidade e as Serras". À serra vou às raízes, à infância, à casa - mãe, àqueles que ainda conheceram meus maiores...Esgravato a terra para "plantações" que ,às vezes, não chego a ver produzir fruto...confraternizo com a cadela que me segue passo a passo, para se deitar , o focinho em cima dos meus pés, quando, finalmente, me acomodo na cadeira da varanda ao fim do dia, com um livro no colo...Digo bem, no colo, pois, frequentemente,em vez de ler, mergulho o olhar na paisagem,identifico casas e lugares ao longe, faço o reconhecimento da passarada que habita as árvores do quintal..."perco-me" em divagações , umas vezes com meio sorriso, outras com lágrimas que se escapam... 

A cidade permite devaneios diferentes...se bem que não seja meu uso valer-me deles com frequência: o que me interessaria ocorre à noite, depois das dez...e eu sou pássaro da manhã...da luz...do calor do sol. A noite  exigiria a companhia, o grupo, o apoio, a partilha...de que o dia pode abdicar com alguma facilidade. É assim que uma volta na rua permite encontros com amigos, um café e dois dedos de conversa, uma "actualização" dos acontecimentos, não diria "fofocas", porque não cultivo "o género"...uma visita aos lugares em renovação...e aos antigos, que sempre lá estiveram, mas que , de cada vez que são olhados com cuidado, sempre têm algo de novo a proporcionar.

Há que aproveitar o que se nos oferece,gratuito, generoso, à nossa volta...A vida corre e, se já não posso correr como sempre deveria ter "corrido"...resta-me não desperdiçar a oportunidade  que me é permitida e tirar dela o melhor partido.              

publicado por mfssantos às 19:32

16
Mar 12

Moro numa zona de escolas; bem próximo há também dois infantários. Da minha janela, todos os dias observo dezenas de jovens e crianças nas suas idas e vindas, carros que pararam para recolher miúdos, carrinhas que transportam em segurança os que moram mais longe...E ouço muita coisa...risos, gargalhadas, chamamentos em voz alta...muitos palavrões...a propósito e, as mais das vezes, a despropósito... todo um formigueiro que se afadiga, perseguindo um destino qualquer... E, frequentemente, dou comigo a "falar para dentro", comentando para com os meus botões como estes jovens de agora são afortunados em  viver nestes tempos e em ter acesso tão próximo e tão fácil a uma formação académica, a uma educação que, melhor ou pior, os vai acompanhando no desabrochar para a vida...

 

O fio do pensamento leva-me, com frequência, a reflectir na responsabilidade de quantos são professores...É que um professor pode marcar para toda a vida...para bem...e para ...pior...Eu conheço exemplos das duas facetas...relativamente a mim própria... e a familiares e amigos...

Logo "dou o salto" e passo a interrogar-me sobre o meu próprio trabalho como um deles que fui: principiante sem preparação pedagógica, embora com sólida preparação científica...saidinha da universidade disposta a "endireitar o mundo"...Que veleidade! A minha "salvação" terá sido o entusiasmo e empenho com que sempre encarei o meu trabalho. E, com o decorrer dos anos, a maturidade que a vida acaba por nos impor... o contacto com outros professores e outras experiências... mais o infindável desejo de aprender que, de alguma forma e sem mérito meu, sempre me "roeu" por dentro. Até que os trinta e sete anos ao serviço do ensino se completaram e chegou o tempo de...ir para casa. Mas disso não quero falar hoje. Hoje o que me motivou a "rever" o passado foi algo bem diferente.

 

É que esta semana foi a semana dos encontros; reencontros, talvez seja mais preciso...

Numa esplanada de café, à conversa com uma amiga, sou abordada por alguém que confirma o meu nome e diz "Que prazer em vê-la, a minha professra de..." As recordações erguem-se lá do passado, vêm as caras e as histórias, o que marcou...e o carinho que ficou, os desabafos e confidências que se seguem ,como se ainda ontem tivéssemos estado juntas e fôssemos íntimas...Como explicar?...

Pois não foi caso único: meia hora depois e uns metros à frente, mais alguém me aborda...sendo a conversa bem semelhante à anterior...acham-me "na mesma" (!!!), vêem-me com os mesmos olhos, recordam os "raspanetes" e as mensagens para casa no caderno diário...mas também o que aprenderaram e lhes tem sido útil na vida...e a ligação que não foi quebrada após tantos anos sem contactos...E o meu coração a "inchar" de orgulho interior...(este não será pecado, pois não?)

A semana não terminaria sem mais uma..."não há duas sem três...". Esta, pela mão do filho, "Mãe, este meu colega diz que foi seu aluno..."De novo o reviver, o reviver..." Fui um osso duro de roer, não?" "Bem, um osso? não!" Mas logo com um sorriso maroto "Também não foi um doce!" Rimos. Pois não. Eu sei o quanto exigia...mas começava por exigir a mim própria. Quando pudessem dizer "ela é muito boazinha"...então era a hora de me mandarem para casa...

 

Tantas coisas recordámos. E como foi gratificante ter contribuído para o crescimento dos que nos calharam nas mãos!

Por isso concluo com o pensamento naqueles mestres que me tocaram, que deixaram em mim qualquer coisa positiva. Os outros...já nem sei quem foram.

publicado por mfssantos às 15:22

08
Mar 12

Mais um. E, neste dia, muitas frases bonitas, muitos ramos de flores, homenagens variadas... Também, se não fosse pelo "ruído", o dia passaria desapercebido para muita gente. Estes tempos de corrida contra relógio não se compadecem com uma pausa para reflectir...corrigir...alegrar...honrar...festejar...mostrar apreço por...E poucos sabem a razão do 8 de Março, nem nunca ouviram falar da luta das mulheres por um horário de oito horas... Lutas...tantas havidas...outras a acontecer, mesmo ali ao lado...e as que estarão para vir...

Não é celebrar um dia que é importante. Importante é respeitar todos os dias,recusando a violência,o abandono, o silêncio da indiferença; o importante é partilhar,construir,cooperar, amenizar a dureza quotidiana...para, finalmente, usufruir da harmonia tranquila de uma vida plena.

Em qualquer caso... saúdo, também eu, todas as  mulheres que jamais esqueceram a dignidade e a honra de o ser.

publicado por mfssantos às 17:23

03
Mar 12

"De vinho e amigo...o mais antigo". Assim diz o povo e, como de costume, lá tem as suas razões.

 

 Veio-me isto à ideia após a visita, num fim de semana prolongado, de uma velha Amiga. É das poucas que resta que ainda conheceu os meus Pais, a casa deles, o seu "estilo" de vida, os valores por que se regiam...o modo como me criaram. Sim, porque, quando conheci a Tininha (hoje com 85 anos) eu tinha 11, era magricela, cabelo à toa, risada fácil..."irresponsável"... A vida ainda me não castigara, a curiosidade e a mente estavam disponíveis para a novidade...

 

 A transferência de meu Pai, funcionário público, no início de Janeiro...complicou a minha mudança de escola, professores, colegas, meio ambiente...

Mas tudo foi compensado pelo que havia de vir : um casal de jovens recém casados, com disponibilidade para acompanhar uma adolescente curiosa e irrequieta, "contestatária" como todos os adolescentes são... tratou de me ocupar...

 Logo no dia da chegada... meteram-me no barco a remos, ancorado à beira do Vez na borda do quintal. Que medo! Mas logo me acomodei ao ritmo do bater dos remos e do natural balanço da embarcação. Em pouco tempo, já me aventurava sozinha num passeio rio acima, após as aulas da tarde...

 Na garagem havia uma bicicleta...que tentação! Mas eu não sabia andar! Eles me puseram em cima dela, empurraram, ampararam as muitas quedas... e acabei por integrar o grupo que, de vez em quando, fazia o percurso entre os Arcos e Ponte da Barca. Um êxito... Só os patins, ali mesmo a jeito, não tiveram utilidade: um dia dei um tombo...e desisti à primeira.

 Com a Primavera a aquecer os dias, em breve o rio convidava a uma banhoca. Só que se perdia facilmente o pé...e eu não sabia nadar!. Logo o "treino" começou: perder o medo, confiar...em mim e nos "mestres"... levou o seu tempo. Mas, um dia, numa zona que eu sabia ser funda...a vara em que costumava apoiar-me... foi-me retirada sem eu contar! Ai que aflição! E agora?... Agora...toca a pôr em prática o que me tinham ensinado. Quando acalmei, constatei que me deslocara meia dúzia de metros! E os meus amigos a bater palmas!

 

 Poderia continuar a descrever um rol de recordações daqueles tempos, e dos que se lhe seguiram. Mesmo quando outra transferência de meu Pai nos fez deixar para trás  um local, umas gentes, hábitos de convívio...mesmo quando a vida levou os meus amigos para África , a amizade se cimentou e se transferiu de pais para filhos e já envolve os netos pelo caminho.

 

 Não admira, pois, que estes dias com a minha velha Amiga tenham sido gratificantes. Revivemos o passado, agora já sem a presença do companheiro de tantos anos, às vezes com a lágrima ao canto do olho... mas com o coração pleno, o meu e o dela em sintonia. Aproveitámos o que Guimarães, Capital Europeia da Cultura ,nos está a oferecer por aí, contactámos conhecidos, visitámos lugares...e, se mais não fizemos, foi porque o tempo foi curto e... as nossas pernas...já não têm a juventude que, pela graça de Deus, as nossas mentes ainda conservam.

 

É bom ter Amigos. Antigos e mais recentes. Eles marcam as nossas vidas para sempre.

publicado por mfssantos às 11:16

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